As mágoas e dores são como pássaros feios, intrometidos, inquietos e barulhentos que nos pousam na relva dos sentimentos povoando a paisagem que até ali era apenas de paz, beleza, num campo aberto e imenso - proporcional à vastidão devida conforme sonhamos haver ali, tão mais ampla quanto mais quisermos que ela assim seja...
Dores inquietantes, mágoas desalmadas, suspiros enlutados pela perda do auto-amor... Um emaranhado de pássaros que pousam-nos na relva dos sentimentos e consomem o belo cenário que ali havia. Quisera eu repelir a todos eles. Mas antes disso, o que os atrai? Ainda não sei, mas a vida abre espaço aos voos e, claro, aos pousos desses pássaros. Queria deixar a relva ser de puras flores e de uma agradável, rasteira e fofa grama para abrandar os passos dados em meio às pedras no caminho...
Porém, pássaros pousam e podem voltar para onde vieram bastando-nos correr e espantá-los. Não espanta-se nada retidos na quietude da consciência intranquila, mas que, apesar disso, acomodou-se ao conforto da menos valia desleixada. Correr, gritar, espantar os pássaros feios que pousam-nos na relva dos sentimentos, é preciso!
Cabe-nos saber que eles ali estão e, sabedores do melhor que podemos ser e que ainda está por vir caso permitamos, resta-nos: correr e espantar a todos! Que voem para outras relvas que lhes sejam permitidas... Um grito apenas, quiçá? Mas necessária é alguma ação! E que seja logo, pois pássaros trazem sementes e alguma delas pode brotar em nossa relva que antes era de flores e grama puramente belas, criando algo que não queríamos, pudemos impedir, mas faltou-nos a devida ação no devido momento.
Espantemos esses pássaros feios com suas sementes também feias antes que nasça algo das sementes que trazem consigo. Mais fácil espantar um pássaro não desejado e estorvante que empurrar uma árvore com frutos de sofrimentos que porventura ali nasça por desleixo meu, foi o que entendi!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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