Quisera eu prescrever poemas, prescrever versos de tantas em tantas horas... Quisera eu dar às crianças infusões contínuas de cultura, saber, poesia... Quisera eu dar à Medicina uma nova toada que sirva de cântico de amor mais à vida que à doença (ou ao status do diploma). Quisera eu ser um profissional da alma, da saúde, e não meramente um profissional da doença como a Medicina de hoje nos forma e incentiva... Quisera eu medicar com amor as pessoas, traduzido em versos e abraços, não havendo mais ampolas ou frascos de remédios, mas sim livros e bibliotecas como acervo ou arsenal terapêutico.
Quisera eu não saber-me tolo sabendo que tudo que aqui escrevi é mera ignorância aos demais olhos. Quisera eu não ser visto como rude, ou ignorante, ou romântico por escrever assim. Quisera eu ser apenas (e simplesmente!) visto e ouvido, mas de nada adianta insistir! Ouvidos servem para otoscopia e diagnóstico de otites, não para atingir a alma com o toque de leveza de uma frase bem dita ou entoando-se poemas a um qualquer moribundo... Cabe apenas escrever, quando do ócio, e prescrever, quando do labor! Nada além. Não há espaço à poesia nas prescrições do mundo. Há apenas remédios... e mais remédios...''remédicos''...médicos...médios...medos. Há de haver algo além um dia, novos meios!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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