Não somos preparados para amar! Apenas nos interessamos por outras pessoas. Não nos apaixonamos nem mais sabemos o que seja isso! O que o outro tem a nos oferecer é o que faz nossa sociedade despertar ou não tal sentimento (se é que seja um sentimento): o interesse! Aos olhos puritanos e demasiado ingênuos ainda seria o dito ''amor'' em nossos tempos modernos... Repito: interesse, e não amor! É o que temos exercido!
Quantas vezes ouvimos frases como: ''você se interessou por alguém naquela festa''? Ora, onde o interesse põe um pé, a dúvida sobre o sentimento real coloca outro e, todavia, o amor recua vendo isso! Amor é sentimento puro e desinteressado! Algo como, embora demasiado piegas, mas que sirva de exemplo torpe: vê-se em contos de fada e outras história antigas, em que o amor ocorre da princesa ou do príncipe que apaixonam-se perdidamente por reles plebeu e plebeia, respectivamente! O amor, hoje, inexiste! Sobram os interesses!
Amor é barato, não requer ostentações nem contas bancárias recheadas. Hoje, entretanto, pessoas querem ou habituaram-se a ostentar! Ostentam: o corpo almejado (imposto pelos padrões de beleza da mídia!) em si e na pessoa dita ''amada''; as viagens que fazem a dois; as jóias e roupas ganhas em forma de regalos ''desinteressados''... Enfim: ostentam contas bancárias que traduzem-se em prazeres adquiridos (em débito, ou crédito, ou dinheiro vivo), como se a cada compra, cada gasto, cada ostentação, o ''amor'' estivesse sendo adquirido em parcelas que apenas serão dadas por encerradas caso o dinheiro, digo, o ''amor'' dure firme, forte e constante - ''até que a morte os separe''! Os gerentes de banco acabam por ser os ''cupidos modernos'' que temos.
Tempos difíceis! Futuro incerto. Aos solteiros de hoje restam poucas escolhas: 1) aceitar a inexistência do amor verdadeiro e tratar de ficar rico logo para, assim, despertar interesses (desde que tenha vocação para bobo e que possuam um bom ''cupido moderno''); 2) sonhar com a chegada do amor verdadeiro e, com isso, talvez morrer sozinho de tanto esperar; 3) beber todos os dias para que, embriagado, não consiga estar atento e ciente da dura realidade do mundo hoje... Faltam-me opções para acrescentar além dessas! Pelo que penso, melhor seria tornar-me um velho solitário, sem ideais de riqueza que me retirassem a personalidade, bem como meus princípios, e sem embrenhar-me no alcoolismo! Porém a cada um sua devida liberdade de escolha! Começo a suspeitar que não é em vão que a juventude de hoje bebe tanto...e tanto...e tanto...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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