sábado, 15 de fevereiro de 2014

Pássaro preto

Um pássaro preto passou voando rápido e baixo. Era um risco que relampeou à minha frente naquele entardecer, mas suficiente para escurecer minha visão e minha paz que havia. O pássaro preto voou para longe. Passou deixando um ponto preto na paisagem que diminuía a cada instante até, enfim, desaparecer longe de mim...

Momentos ruins são assim. Pássaros pretos! Passam! Quando dotados de cores alegres, poderíamos chamar, em outra metáfora, tais pássaros de momentos de alegria, de prazer etc. Todos são pássaros. Todos vêm, tomam parte da paisagem, brilham mostrando-se. Mas são sempre inquietos e passageiros. Uns mais rápido, outros mais devagar. Todavia, todos os momentos são pássaros que passam! 

Nós devemos passar. Não digo apenas sobre seguir a vida, mas passar por cima (ou através) dos momentos que porventura ainda marquem o presente (ou a alma) de alguma forma. Não se pode querer manter um pássaro na paisagem por mais tempo que o seu devido momento de fato na cena. Se chorou? Enxugue! Pense, repense e passe pelas lágrimas. Deixe novas cores colorirem sua paisagem interior, sua alma, seu dia. Passe pelo preto deixado pelo pássaro que, por sua própria vontade, passou entristecendo-te! Momentos sempre passam. Repito: momentos são como pássaros.

O pássaro preto, então, passou! Eu o permiti passar. Deixe-o também passar se ainda o aloja em sua imagem mental da paisagem. Ele, entenda, foi-se! Não percebem-se pássaros de outras cores que estejam passando quando estamos ocupados em manter a visão em pássaros que já passaram... Desfrute da paisagem que tens à frente! Pode ser que, de fato, alguns pássaros pousem e mantenham-se por um tempo maior. Mas não ficam por muito tempo. Não os mantenha ali mais do que de fato já ficaram. Todo voo e todo pouso seguem o devido curso do respectivo tempo que devem durar. Não mais, não menos... São em si o tempo necessário! 

Cabe-nos deixar passar o preto, a escuridão de momentos ruins e lembrar-se da existência das outras cores: alegres, mais ou menos radiantes quais sejam elas. Atentar-se e respeitar cada uma das outras cores que, em pássaros efêmeros, trazem-nos outros momentos nos dias. Esqueça seus pássaros pretos! Deixe-os passar. 

Seria sim, concordo, uma metáfora dotada de pouco valor literal, talvez até de pouco brilho intelectual. Mas metáforas são assim, simulam semelhanças que para uns nada trazem de sentido, mas que traga-o para alguém - nem que seja apenas para mim...

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier 

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