Por trás das cobertas que são o corpo, a pele que me aquece, trago um esqueleto sedento de vida. Trago em mim muitos sonhos, muitos objetivos, muitas metas, mas, já hoje, sem mais a tamanha vontade de seguir que há anos era minha... tão minha. Será que o esqueleto frio venceu o calor do corpo? Tornei-me um humano que não mais se aquece?
Por vezes, percebemos: tamanhos são nossos erros que tropeçamos ainda mais a partir dessa constatação. Tanto ficamos vidrados em olhar para trás tentando entender erros que cometemos que acabamos por deixar de olhar para frente com a devida atenção. Logo, quem não está vendo por onde anda acaba tropeçando e, por vezes, cai. Caio eu, cai você. Caímos todos quantos de nós insistam em andar sem a devida atenção direcionada aos passos do presente. Pés que caminham sem o norteamento dos olhos atentos raspam ou trombam em obstáculos. São esses algo como freios que nos aparecem. Não deixemos nossos pés caminharem sozinhos. Eles precisam da atenção de nossos olhos...
Nosso olhar tão assustado e perdido por tantas razões de assim o ser... Como deveria terem sido melhor aproveitados nossos olhares enquanto crianças que éramos até pouco tempo atrás. Ah, crianças... Não caminhem como nós! Não ouçam nossos conselhos. Não sabemos de nada!
Crianças, seus pés são pequenos, seus passos curtos, mas com os olhos puros e cheios de paixão que trazem caminharão sempre mais e chegarão sempre distante, além de nós. Não deem ouvidos ao que os adultos lhes falem. Eles não sabem de nada, crianças... Caminhem com seus próprios olhos, com seus passos em seus pequenos pés... Grandes serão, dessa forma, suas caminhadas.
Olhos nos pés, não no chão... Sim! Adultos, prezam demais por proteger o caminhar. De fato não prezam por proteger os obstáculos, em si, das possíveis agressões ao trombarem seus pés neles. Prezam por não machucar os pés, acima de tudo! É sutil, mas há uma real diferença. Não podemos errar na interpretação, pois quem mais olha o chão que o seu próprio caminhar não aprende a caminhar, de fato. Espero que entendam tais argumentos tolos. Medos dos traumas - o fato em si e/ou a consequência deles. Traumas são boas e amplas metáforas.
Quem mais olha o chão que qualquer coisa apenas passa a ver tudo quanto passe como um obstáculo. Não vive os passos, não sente os passos, não emociona-se com o caminhar. Apenas desvia-se quando ache devido. Não sejamos apenas daqueles que vivem a esquivar-se. Que sejamos dos que sabem andar, que gostam de andar, que observam esse andar e sabem aproveitar isso. Deus não dotou-nos de asas, mas que voemos baixo com nossos pés conforme seja possível. Não sejamos medrosos nos passos. Caminhemos!
Quem mais olha o chão que qualquer coisa apenas passa a ver tudo quanto passe como um obstáculo. Não vive os passos, não sente os passos, não emociona-se com o caminhar. Apenas desvia-se quando ache devido. Não sejamos apenas daqueles que vivem a esquivar-se. Que sejamos dos que sabem andar, que gostam de andar, que observam esse andar e sabem aproveitar isso. Deus não dotou-nos de asas, mas que voemos baixo com nossos pés conforme seja possível. Não sejamos medrosos nos passos. Caminhemos!
Há muito o que se aprender com as crianças, e aprendendo com elas aprenderemos a dar passos corretos na caminhada da vida. Quem muito se preocupa com os obstáculos não vive com paixão a caminhada, o prazer do caminhar... Sejamos mais puros dos olhos! Olhemos mais profundamente as coisas sem travas, sem medos. Conheçamos o mundo tal qual as crianças: a fundo. Não nos bastem a primeira impressão ou nossos medos do que de fato sejam as coisas reais pela estrada. Saibamos nos aventurar! Só assim, em não tendo medos de subir em árvores para pegar a mais alta das frutas, saberemos contornar obstáculos ganhando experiências com todos eles - nesse caso, uma doce experiência como tantas outras que poderíamos ter. Sim, a fruta foi uma metáfora pobre... Confesso!
Quem sobe, pode cair, quem caminha pode tropeçar. Quem não anda ou anda devagar corre menos esse risco, mas que vida leva? Qual vida lhe ocorre? Saibamos subir nos obstáculos da vida e pegar frutas, colher frutos. Assim, seremos adultos mais felizes e nossa criança interior estará menos distante de nós em tempo e em espaço.
Sim, é um mero e vago devaneio... Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
Nenhum comentário:
Postar um comentário