Às vezes parece que tudo está pura ruína. Você olha para os lados, não vê futuro em nada, porém segue. É a rotina da vida, seguir. Você não tem tempo de parar, pois pensa de antemão o que as pessoas dirão se virem você parado. Seria tanto trabalho para explicar, para tentar abrandar o reboliço que seria dado pelo simples cessar dos passos de seus pés. Alguns momentos, quais fossem, de serenidade, quietude e paz, mas não, você segue sempre.
Daí, vez ou outra, retorna a sensação de que tudo é vão e sem sentido. Você desdenha tudo quanto conclui desanimador, pois tem medo de querer parar de novo. Respira fundo, chora quando ninguém está olhando, aproveita a solidão corriqueira para se rearranjar em lágrimas e reflexões, novas forças, seguir. Sempre seguir, não é? É o que as pessoas querem que você faça, mas nenhuma delas vive e pensa da forma que você pensa e vive... Mas todas querem pensar e agir por você, não é? Isso é viver em sociedade...
Cada qual tem suas formas de viver, pensar, concluir sobre os acontecimentos da vida. Por vezes, um simples encontro ou um desencontro para uma pessoa serve como encanto ou desencanto para alguém que, por aquele feito, será mais ou por vezes menos feliz. Encontros e desencontros aplicam-se a pessoas, mas também a coisas, a planos, a sonhos... Tudo é um eterno ciclo de encontrar e desencontrar coisas, ou até mesmo um encontrar-se ou um desencontrar-se, quiçá. Uns sofrem, é certo, mais que outros. Porém, todos optam sempre por seguir, pois dá trabalho demais provar às pessoas que sofrimentos existem e por vezes nos freiam a ponto de nos fazer querer parar... Trabalhoso demais seria explicar, logo, mais fácil seguir.
E assim, dia após dias, todos habituam-se a ver em seu entorno um emaranhado de pessoas aparentemente felizes, aparentemente bem sucedidas, aparentemente seguindo suas vidas. Tudo aparenta estar bem, afinal, é o que interessa: aparentar! Ninguém está preocupado, pois estamos todos sozinhos no mundo apesar de as opiniões dos outros serem nosso habitual par na caminhada, na mente, nas decisões... Dia após dia, a vida segue, nós seguimos, e infindos problemas que cessariam se ao menos déssemos conta de que parar é necessário seguem a existir. Mas eles seguem conosco, pois nós seguimos, insistimos. E assim tudo segue até o fim, quando enfim nada mais seguirá, apenas os comentários de: "era tão novo...", ou "era tão feliz", ou "por que morreu?" - mas ninguém ao menos nos conheceu a fundo. Todos apenas tinham sua respectiva opinião.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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