terça-feira, 24 de junho de 2014

Pedras de calçamento

O quanto estou triste, cabe a mim decidir? O quanto devo insistir, cabe a mim definir? O quanto quero viver, cabe a mim o fazer? O quanto quero morrer, cabe a mim sofrer? 

Em pedras de calçamento, desfiz-me. Piso em mim mesmo para seguir, acredito. Quanto eu poderia aceitar ser assim? Quanto tempo esperei para atingir o fundo do poço que hoje vejo, mas desconhecia? Quão pavoroso pode ser acordar e ver a si mesmo no escuro? Nem mesmo meu reflexo consigo ver... Sou um louco qualquer e o que há é o fundo do poço. Apenas o poço, profundo, escuro, escuso... 

Queria não cair, não sofrer, estar de pé.. Altivo? Sorridente? Crente em dias melhores e na felicidade... Trai minhas esperanças! Trai meus sonhos! Trai a mim mesmo acreditando que tudo valeria a pena, mas não valeu de nada. Hoje, sou cálice vazio, trincado, esquecido num canto, num lixo qualquer onde não mais serve para o deleite de um bom vinho, mas pode cortar, machucar... Sou um cálice quebrado e vazio.

Não sei mais o que quero, nem onde estarei amanhã. Apenas queria não estar mais. Causa-me medos... Queria apenas não estar, mas poderia doer, traumatizar quem ainda estivesse aqui, quem ficasse. Queria apenas ir, sem despedidas, sem ser notado. Que o mundo seguisse sem mim. Sem mim? Sim! Teria sido tudo muito melhor... Muito melhor, mas eu existo. Quisera eu não mais...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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