terça-feira, 24 de junho de 2014

Sobre a idade

Quando menos se espera, o tempo passou, estamos velhos demais e não há mais tempo a perder, pois, afinal, nem mais tempo há.  Quando menos se espera, tudo que passou é motivo de lamúria… Estávamos distraídos demais e não demos conta de termos perdido tanto tempo sem o total aproveitamento de cada instante. Preocupados estávamos com a profissão, com as tarefas, com as contas, com a gasolina do carro, com as janelas deixadas abertas em dias de chuva surpresa… Sim, tantas preocupações. Deixamos tomadas ligadas desnecessariamente? Sim! Geladeira aberta sem querer e estragamos comida deixando-a perder-se? Tantos prejuízos tolos que preocupamo-nos tanto com eles, não é? Sim!

Estávamos sempre preocupados, não? Porém, a idade nos chega, os dias passam, e damo-nos conta: as coisas que estragam e gastam-se, acreditemos nisso ou não, são apenas e meramente nós mesmos. Daí, sobram as lamúrias das viagens que não fizemos, da saúde que tínhamos e não desfrutamos, dos amigos que caminhavam conosco e os perdemos, dos animais de estimação que nunca fomos capazes de levar para passear. Sempre faltou-nos tempo, não foi?

Seguimos sempre caminhando calados, sozinhos… Por mais acompanhados que possamos estar, estaremos sempre, no dia derradeiro, sós. Levaremos apenas lembranças conosco dessa vida. Quando olhar para o lado e não vir ninguém, não se assuste, pois a solidão esteve sempre conosco - embora o barulho do mundo não nos tenha deixado perceber isso em tempo.

Estamos, em vida, caminhando até o túmulo? Cabe-nos então desfrutar dos demais indivíduos solitários  ao nosso redor e, em tempo de viver, desfrutar de cada instante. Viajar? Sim! Conhecer histórias e coisas? Sim! Beber e comer comidas distintas? Sim! Mas nunca, nunca parar de viver como se o dinheiro que precisamos ter para pagar contas amanhã fosse motivo de sofrimentos no hoje. É um estilo de vida ocidental, talvez, que adquirimos e tanto nos impede de viver plenamente…

Sempre norteamos nossos dias e o aproveitamento das horas de acordo com o dispendioso ato de adquirir bens para pagar por outros produtos de consumo. Será essa uma limitação moral ou cognitiva que temos? Sim, gastamos a vida adquirindo pertences e outras formas de bens materiais para trazer-nos confortos, uma velhice confortável, não é? Não pretendo morrer velho, mas sei que morrerei um dia. Não quero, entretanto, morrer sabendo que apenas existi por determinada quantia de anos.

Quero ter a certeza de que desfrutei dos anos de existência ao lado de pessoas que me fizeram bem, de momentos que me fizeram sorrir, de desfrutes que me fazem lamentar não ser eterna a vida. Não quero uma conta recheada, mas sim muitas memórias. É o preço da idade: pagar com sorrisos a devida quantia de anos que se passem. Espero estar certo – se não estiver, recomendo mesmo assim tal feito. Que assim seja!


Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Nenhum comentário:

Postar um comentário