Estávamos sempre preocupados, não?
Porém, a idade nos chega, os dias passam, e damo-nos conta: as coisas que
estragam e gastam-se, acreditemos nisso ou não, são apenas e meramente nós
mesmos. Daí, sobram as lamúrias das viagens que não fizemos, da saúde que
tínhamos e não desfrutamos, dos amigos que caminhavam conosco e os perdemos,
dos animais de estimação que nunca fomos capazes de levar para passear. Sempre
faltou-nos tempo, não foi?
Seguimos sempre caminhando calados,
sozinhos… Por mais acompanhados que possamos estar, estaremos sempre, no dia
derradeiro, sós. Levaremos apenas lembranças conosco dessa vida. Quando olhar
para o lado e não vir ninguém, não se assuste, pois a solidão esteve sempre
conosco - embora o barulho do mundo não nos tenha deixado perceber isso em
tempo.
Estamos, em vida, caminhando até o
túmulo? Cabe-nos então desfrutar dos demais indivíduos solitários ao nosso redor e, em tempo de viver, desfrutar
de cada instante. Viajar? Sim! Conhecer histórias e coisas? Sim! Beber e comer
comidas distintas? Sim! Mas nunca, nunca parar de viver como se o dinheiro que
precisamos ter para pagar contas amanhã fosse motivo de sofrimentos no hoje. É
um estilo de vida ocidental, talvez, que adquirimos e tanto nos impede de viver
plenamente…
Sempre norteamos nossos dias e o
aproveitamento das horas de acordo com o dispendioso ato de adquirir bens para
pagar por outros produtos de consumo. Será essa uma limitação moral ou
cognitiva que temos? Sim, gastamos a vida adquirindo pertences e outras formas
de bens materiais para trazer-nos confortos, uma velhice confortável, não é?
Não pretendo morrer velho, mas sei que morrerei um dia. Não quero, entretanto,
morrer sabendo que apenas existi por determinada quantia de anos.
Quero ter a certeza de que desfrutei
dos anos de existência ao lado de pessoas que me fizeram bem, de momentos que
me fizeram sorrir, de desfrutes que me fazem lamentar não ser eterna a vida.
Não quero uma conta recheada, mas sim muitas memórias. É o preço da idade:
pagar com sorrisos a devida quantia de anos que se passem. Espero estar certo –
se não estiver, recomendo mesmo assim tal feito. Que assim seja!
Pedro Igor Guimarães
Santos Xavier

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