sábado, 14 de junho de 2014

Do alpendre

Quero tardes vazias de um sábado qualquer onde eu possa deitar-me, escrever coisas que me abrandem, cantar músicas entre assovios e voz ao pé da sacada, esbanjando uma tranquilidade por sobre a sombra de um alpendre... Quero o cheiro do café passado na hora, a sensação de que o dia vai lentamente embora e a certeza de que domingo há de vir para encerrar um final de semana pacato e pleno. Quero a certeza de saber-me existindo num cenário meu, onde não haja espaços para páginas em branco ou monótonas, uma vez que a serenidade do cenário já existente é, para mim, tudo...

Quero calado, mudo, sentindo o vento a bater-me no rosto, ver por debaixo da sacada carros apressados como se dissessem: "saia da minha frente". Quero rir da pressa valendo-me da calma que trago em mim. Quero desfrutar de abraços carinhosos da mulher amada somando sua sombra à minha no piso do chão que testemunha nosso sábado de ócio e carinhos. Quero desvendar os milagres e mistérios do amor em momentos de paz assim! Há vida demais dentro desse espaço de harmonia debaixo desse teto, o alpendre que, numa analogia boba, é para mim um arco do triunfo, pois, triunfando por sobre a solidão de tantas tardes vazias e solitárias, essa corre fazendo-se eterna a triunfar por dentro de minhas memórias como a melhor coisa que exista, ou algo assim... Quero sentir a eternidade nesse momento no tempo que passa calmamente, brando. 

Abro o vinho, ou quiçá uma cerveja, ou meramente divido goles de uma caneca com café e leite quentes, aperto mais ainda o abraço em que eu já embrenhava-me, sinto o cheiro da mulher amada e percebo um sorriso de soslaio que acalenta minhas dores prévias como se as mesmas nunca tivessem existido. Isso é tudo embora pareça uma simples tarde de ócio num lugar qualquer! Uma tarde de sol por debaixo do alpendre... Há espaço demais no mundo para mim, mas aqui caibo bem e sou pleno...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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