domingo, 24 de agosto de 2014

Comigo

O silêncio de teus passos que não caminham mais por aqui causa-me suspiros, dor... Isso não é nenhuma surpresa! Como poderia ser diferente? Você vê tudo daí? Há algo que possas fazer? Acho que não. Nem quero que te aflijas com isso, tentando consolar-me. Apenas ore por mim, pense em mim, ou o que puder. Dê-me um sinal, se possível. Envie o que puder de si para cá! Estarei ansiosamente existindo enquanto aguardo, ou aguardando ansiosamente enquanto existo.

Há tanta saudade... Tão pouco sobrou de consolo para a dor que ficou da ausência, mas espero ver você de novo. Sim! Ah, seria lindo. Eu creio! Mas tenho traído minhas crenças... Sim, com algo de revolta, raiva, inquietude, sabe-se lá. Perdão! Não chore por esse meu estado deprimente. A solidão por vezes nos deixa sós até de nós mesmos, não sei explicar. Há de passar... Há de passar. Apenas siga daí e esteja bem.

Não me deixe, nem se esqueça de mim. Se eu demorar para morrer, me desculpe. Não depende de mim, mas espere. Quero sentir novamente seu abraço. Espere por mim! Há sentimentos inquietos que transpiro. Saem de mim externando-se em lágrimas, suores noturnos, pesadelos enquanto acordado. Nem mente nem corpo funcionam mais da forma que eu gostaria. Acendem-se, por vezes, algo como se fossem velas dentro de mim, num fogo que me consome em ardor, dor, mal humor. Sim, eu erro em pensar que posso acabar comigo mesmo aos poucos. Eu não deveria, mas não posso querer existir ladeado por sua ausência. Perdão, mas eu sigo daqui. Ou melhor, eu continuo aqui. Sim, é diferente. Sutil, mas bastante diferente. Até breve - assim espero. Enquanto isso, restam-me abraços e beijos nas fotos penduradas na parede e presas na cabeceira. É o que restou palpável de ti além do amor que carrego e morrerá comigo.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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