sábado, 13 de setembro de 2014

Poeira do mar


Ao passo das horas do tempo que vai, passo eu diante das dunas feitas da poeira que fez-se de mim.
Reduzido ao pó e a entrelinhas, fiz da sonata dos dias, aos passos insanos e sem cadência, sem tons coordenados, um som perdido no ar. Resta apenas sal do mar que eu era! Poeira do mar, quiça...
De desfeitas das horas, da vida, faço-me eu também desfeito; valho-me em desfaçatez, pois como posso ser assim comigo? Cínico? Sim, insano sou eu que não caibo nas palavras que querem sair ou extrair algo de mim...

Parece que o fim havia chegado aqui, mas vi que podia haver mais. O final é para além dos olhos, vê? Não se define, não é concreto. É pasto de terras desconhecidas. Talvez o final seja mais insano que eu que por si só já sou pasto desconhecido em mim. Ah, insensato presente que corre em horas frias e sem sentido... Cá encontro-me eu comigo, nos "comigos de mim" que me perfazem nos tantos um que sou. Mesmo só, cá estou todos, em mim comigo.

Eu não estava atento, mas eu vi. Vi quando parti em passos largos e trôpegos achando que o ali adiante seria mais terno, mais calmo, dias de paz. Mas não. De cá, para lá, fui estar eu de novo ladeado pelas tormentas, em nevoeiro que trago acima da cabeça, com rosto molhado não de chuva. E disso e nisso, sigo cego saindo de mim, rumando a um fim que desconheço, pois inexiste no sem fim que é tudo. 

Os fins são novos começos. Cá estou eu, molhado, cansado, enevoado? Sim, mas de novo eu sigo, não nego. Sereno até onde der, pois a paz que falta é justamente a qual retiro de mim. Ao amanhã? Não guardo nada! Quero apenas o hoje. Não digas nada para mim... Apenas siga comigo se quiseres. Pois de cá, ou de lá, quero tornar-me um mar aberto de novo, refeito da poeira que tornei meus sonhos...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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