O dia de hoje é sempre irrelevante. Será sempre,logo, logo, ontem, e o ontem sempre morrerá. Passado é terra morta que se esquece. Somos feitos para o amanhã.
No amanhã, depositamos esperanças, projetos, expectativas. No amanhã sempre guardam-se ações de nós e dos outros; surpresas por isso! É inabitado, inacabado. O hoje, entretanto, é habitado por nós, habituado conosco. Vira passado logo após o passar de meras 24 horas; morre com isso em tempo ligeiro. Veja, estou falando tolices de novo...
Não quero que me guardem no passado. Não quero ser presente de ninguém. Quero, se me for permitido, ser futuro de quem assim o quiser num retrato de saudade. Como? Causar saudade por não ter sido de ninguém, nem ser também memória de alguém. É o presente que fica da morte precoce, da despedida: permanecemos eternos! Ninguém sabe o que seria do nosso amanhã e cada um, com isso, plasma em sua mente uma história para nós; cria, recria, e surgem mares de saudades desse cenário de esperanças e expectativas.
Feridas da vida, amarga vida. Perdas do ontem, do hoje, deixadas no eterno pelo sonho do reencontro no amanhã. É o que fica de certos "adeus" que somos obrigados a dar. A morte, sim, vira passado, mas a pessoa é futuro, pois permanece num retrato de memória, como expectativa de reencontro, de futuro. Vivemos pelo amanhã e seremos eternos apenas nele, nunca no hoje.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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