segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Amarga vida


Pai, tú vês essa gente esquecida, tão cansada,
Largada ao pó da estrada, caminhando em frente?
Pai, tú vês esse povo largado, abandonado, à esmo,
Jogado à Terra como coisa pouca,
Que de tanto implorar, traz a voz rouca,
Querendo de Ti, Pai, algo para si mesmo?
Consegue, Pai, acordar e ver os ossos expostos,
Os corpos esguios, finos de desnutridos, Pai?
Vês com Teus olhos as lágrimas que caem das mães
De filhos perdidos nas drogas, jogados nas rodas
De tiros entre gente grande e pequena nas favelas?
Tribos distintas, Pai, embora não sejamos índios.
Caciques por todos os lados, e o povo seguindo à esmo...
Sim, sozinho, abandonado e de fato, apenas por si mesmo.
É de Ti, Pai, que todos esperam dádivas, bençãos, curas
Pois de cá, Pai, pouco sobra, ninguém se importa, sobram juras
De que um dia alguém irá traçar futuro a eles!

Esse povo parece gente morta, que ninguém quer ver, Pai.
Certa vez, acreditei que tudo estaria caminhando...
Que o rico estaria se lembrando que o pobre sofre; isso é...
É verdade, Pai, sofre tanto, que de canto em canto,
Pede socorro e lhe dão esmola. Pois faltam-lhe saúde, 
Moradia, escola... Falta tudo, Pai, na Terra que criastes...
O homem daqui, não venera a Ti. O que é da fé, esvai!
Ai, como dói saber-me humano, Pai!
Verena o dinheiro, o poder, conforto, riqueza.
Não quer saber do pobre, Pai, nem resolver a pobreza.
Pobreza é sinal de preguiça, dizem eles.
O governo nada tem que cuidar disso.
A riqueza é que tem de ser mantida, aumentada.
Para quê distribuída, repassada? O pobre, Pai, que se lasque!
Tudo dado a ele, é populismo. Tudo dado ao rico, é meritório.
O dinheiro segue em bancos, aos tantos, enterrado sem velório,
Enquanto aqui e ali há um pobre explorado para encher um prato farto.
Deixe, Pai, que o mundo acabe.
Ou deixe então, Pai, que levem os pobres daqui.
Já sofrem demais, pois ninguém vela por eles, Pai.
Estão todos apenas esperando por Ti.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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