domingo, 19 de outubro de 2014

Encolhido

Deite-me sozinho, calado, na cama triste. A solidão ocupando mais da metade do espaço que havia ali. Arredei-me para o lado, encolhido. Era assim mesmo que passava tempos dormindo, apequenado, esgotado. A cama acolhia-me num sem fim de possibilidades de não fazer nada, não ir a lugar algum, não ver quem quer que fosse, não existir para além da possibilidade de fingir-me inexistindo. 

Deitado, no silêncio e escuridão do quarto, nada havia, eu não era nada, tudo era nada e nada importava... Era eu ali num berço de águas passadas que transbordavam em mim, sem esperanças de futuro... Deitado encolhido na cama doravante intitulada "nossa", hoje, apenas "minha". 

Em outros tempos, poderia eu externar tristezas chorando, maldizendo a vida, as coisas... Mas de quê adiantaria? No silêncio do quarto, em horas passadas de lágrimas caídas, de lamentos jogados às paredes já sem retratos pendurados, éramos eu e o vazio apenas o que existia. Nada adiantaria nem mudaria em algo. Restava apenas dormir, calar, seguir encolhido e respirar esperando ser a última respiração. Só que não! 

Coração ainda batia, respiração ainda havia... E, disso tudo, o peito jazia calejado, calado. Era tudo quanto havia no mundo: o quarto escuro, sem sentido, eu, a cama e a solidão. Apenas isso!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier


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