Estive acordado em noites sem fim,
Incontáveis, que deram-se em mim.
O passar do tempo ruía algo no peito.
Passavam-se horas e eu, sem jeito,
Virava de lado a outro tentando dormir.
Busca incansável para ao descanso partir.
De alma inquieta, pode-se chegar ao sono?
Apesar de pensamentos loucos, tantos, sem dono,
Somando-se, desmedidos, sem início ou fim,
Haverá para além da noite descanso para mim?
Deixo de pensar. Paro, mas não estou quieto.
Descubro que há em mim um elo incerto
Entre o hoje, o passado, o amanhã; o porvir...
Eis então que surge a insônia; o sono faz-se partir...
E, de outros mundos, meu descanso se ri de mim.
De lá, em me vendo, deve pensar algo assim:
"Pobre homem tolo, inquieto, não aprende?"
"O ontem que passou, é morto, não entende?"
"O amanhã, incerto, está longe, está ausente."
"De tanto pensar no tempo, há de tornar-se demente."
E eu, em sabendo disso, rio sorrisos loucos.
Sei algo de mim, mas nada sobre a noite! E, aos poucos,
Ela passa, termina e fico eu junto ao dia recém chegado.
O sol brilha, o galo canta, a lua desce e eu, endiabrado,
Sigo acordado a viver mais longas horas pela frente.
Insônia? Sim, há de tornar-me cedo ou tarde demente.
Dessa forma, cedo ou tarde, dar-se-á em mim tal feito.
E eu, acordado, sem saber-me de cérebro desfeito,
Terei enfim promissoras longas noites em sono profundo,
Sabendo que, louco assim, nada mais importará no mundo.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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