Não sou intelecto. Não sou nada. Sou apenas mais uma voz rouca que brada. Não quero domar nem dominar ideia ou coisa. Quero apenas deixar passar o que habitualmente calo - mas, por ora, o silêncio torna-me demente e, por que não, ausente de mim, aos poucos.
De mim? Preferiria estar ausente. Deixar ao mundo nada mais que meu corpo morto. Vivo, que diferença faço? Sou apenas mais uma coisa inútil, espírito absorto. Queria ser mais que simples moléculas agrupadas em matéria, matéria essa que chamam-na por nome específico. Quer seja eu Pedro, Paulo, Pacífico... Não seria eu nem mais, nem menos torpe, muito menos por algum motivo magnífico.
Nada sou. Nada fui. Nem serei, é justo dizer. Pois cá dentro de mim, sobram motivos para cansaço do mundo, ausências à fundo, e torno-me a cada dia mais descrente. Assim, passam-se horas e lá vou eu, de mim, ausente. Seguindo ao fim que me seja concernente.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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