Quem quer ser um milionário? Acho que todos. Mas quem quer ser altruísta... Aí depende. Quanto vou ganhar por isso? Esse é o perfil de nossa sociedade. Na busca desenfreada pelo prazer, pelo conforto material, pelo poder, tudo é lícito na busca por riqueza. Defender ideais que nos afastem temores de pobreza, sim, isso é válido. Defender ideais que defendemos na Igreja, não... Que fiquem apenas na Igreja.
Jesus veio à Terra e disse infinitas coisas boas. Se ele queria que agíssemos assim, como temos agido desde sua morte (na verdade, desde antes dela)? Creio que não! Ele veio trazer, dentre tantas coisas, os ensinamentos de amar uns aos outros, compartilhar, lutar pelo bem alheio e lutar pelo bem, acima de tudo? Quem quer isso? Ninguém - apenas na hora dos cultos e missas! Pois é socialmente bonito ser religioso, mas ninguém nos exige agir como tal na vida prática. Somos do mundo do socialmente aceito, do discurso vago. A prática não é necessária.
Quem defenderá os interesses do pobre? Jesus... Deve ser! Talvez seja por isso que uns e outros acham que Ele vai voltar. Claro... Até lá, eu que não serei aquele que vai se preocupar com o outro ou no bem estar coletivo. Se há gente triste, mal cuidada, jogada às traças logo na sacada de nossas casas, ou nas esquinas de nossa rua. Há, mas não é problema nosso, claro que não. Pobre e jogado ao mundo? É o estereótipo lindo da meritocracia para a pessoa mal sucedida. Não é? Um brinde À meritocracia, afinal, que nos defendamos nós de nós mesmos, pois caso não tenhamos dinheiro, nem mesmo nós, como somos, no corpo de outro, nos ajudaríamos.
Compartilhar? Não! Isso é para momentos de festas, de esbanjar, de mostrar-se um bom cristão à sociedade. Chegando o Natal? Sim. Doemos coisas velhas aos pobres. Eles saberão o que fazer e serão agradecidos. Enquanto isso, no dia 26 de dezembro, poderemos acordar e dizer num almoço em família que somos pessoas de bem - aos olhos atentos do outro que nos vê discursar. Para quê ser bom ao longo de toda uma vida? Ou defender a distribuição de renda, ou a distribuição de ''bençãos'' (conforme intitulam os religiosos)? Será que Deus está vendo? Acho que não! Então: um brinde à meritocracia. E que o diabo valha-nos como tem valido!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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