domingo, 2 de novembro de 2014

Prece


Queres o que de nós, Senhor? 
Dá-nos o pão, e calamos...
Dá-nos a água, e calamos...
Dá-nos a palavra, e também calamos.
Que há de ser de nós, Senhor?
Nós, Teus filhos, como somos?
Que temos feito aqui, Senhor?
Nada de Ti é reproduzido...
Nada de Ti é repetido, dito, visto....
Adoramos Te adorar em público...
Adoramos o público - talvez mais que a Ti.
Falhamos diariamente, Senhor.

Tantas vozes relutantes em aceitar
Que falhamos enormemente em ser
Aquilo o que nos ensinaste e crer
Que há além do dinheiro outro deus.
Que será de nossos filhos, Senhor?
Sim, já vimos tamanhas atrocidades antes,
Mas nunca cessarão de nos ocorrer?
Somos erva-daninha na Terra prometida.
Somos solo infértil, bocas secas a bradar,
Repetindo aos berros palavras de ordem chulas.
Somos corrompíveis. Não somos filhos, Teus.
Somos nada, Senhor, nem de Ti, nem de Deus.

Valha-nos, Senhor, e torne a todos algo.
Desse algo, que surja alguma coisa boa.
Não cabem mais esperanças. Morreram todas.
Para quê esperar, sonhar, sabendo que nunca
Haverá solução à essa nova Sodoma, nova Gomorra...
Nunca saímos da Terra calamitosa que habitamos.
Nunca aprendemos convosco, Senhor.
Somos nada. Nem filhos Teus, nem de ninguém...
Termine com tudo quanto há aqui, Senhor,
Senão destruiremos Tua imagem mais além.
Amém, Senhor! Amém....!
Valho-me desse desabafo como prece.
Se puder, Senhor, ouça, do que digo, se Te apetece:
O homem a cada dia mais, de Ti esquece.

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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