sábado, 15 de novembro de 2014

Sobre a vida, as horas, a barba... Sobre o outrora, o agora e o sempre.


Não envelhecemos! É o tempo que simplesmente passa! Tem sim a ver com a rotação da Terra, com o passar das horas, com o caminhar corrente dos dias, mas em nada é nossa culpa. Saiamos ilesos desse fato, então! É puro e simplesmente um passar de horas que dão-se conosco de permeio...

Há dias em que acordo e, com o roçar da barba nas mãos ao esfregar meu rosto, penso que não mais sou a criança que fui, de face pelada... Sim, é fato! Algo ocorreu. Simplesmente meu rosto mudou? Sim! Mas não mudou apenas ele. Não foi meramente uma barba que tornou-me outro. O passar de experiências, boas ou ruins, todas elas, bebidas em goles quentes e calorosos, ou frios de congelar a alma e o peito, tornaram-me outro agora. Das horas? Delas (as tantas que já se passaram!), as culpo já, desde agora, devido algumas rugas que se mostram ao espelho...

As memórias dos cabelos outrora grandes, em épocas de bandas de rock da adolescência e a leve intransigência que aquilo nos induzia (e induz!), deixam ainda hoje a essência de uma juventude muito bem vivida, bem acompanhada de amigos queridos que hoje passam pelos mesmos dias que eu - graças a Deus. Uns de barba, também, inclusive... Mas agora, os cabelos tomam cortes mais conservadores, mais preocupados, alinhados - talvez mais com a opinião alheia, pois não sou mais aquele jovem que dava-se ao luxo de ser intransigente ou desdenhava as consequências daquilo... Essa perda da capacidade de transgredir que é peculiar ao jovem, isso não é bom. Isso é uma parte péssima do correr das horas, dos anos, do aumento do peso dos olhares alheios ao nosso modo de caminhar: aceitar transgredir-se ou, simplesmente, adaptar-se a um outro patamar de "eu" para agradar ditames sociais e olhares outros, atentos. Mas isso é outra conversa, demandaria outro texto...

Com o correr das horas, o que eu percebi? Que os relógios são incansáveis! Nunca desanimam. Querem como que o tempo todo nos incentivar a nunca parar, sempre seguir em frente, sempre aguardar o amanhã - sem surpresas, sem expectativas. Nos ensinam a simplesmente correr o correr das horas na velocidade que nos seja plausível, possível, necessária... Com barba, sem barba, com cabelos despenteados ou alinhados, não podemos é deixar de ser aquilo que pretendíamos, abandonar sonhos, desdenhar nossa essência, a nós mesmos! A cada segundo, cada hora, cada novo ano, cabem neles suas respectivas maneiras de passar, seus devidos tempos para correr... Que isso em nada nos inquiete! 

E nós em meio a isso? Passamos, é fato, mas que nunca acreditemos na falácia do envelhecer! Envelhecer é uma realidade socialmente imposta - penso eu! Sejamos sempre a centelha de esperança e desregramento atento da juventude! Mais impulsos e menos ditames sociais por sobre nós! Rumo ao que merecemos, e por nós mesmos cheguemos a brindar, chamando de: felicidade!

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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