Ela acordou sentindo-se forte, mais jovem, renovada naquele dia. Era um novo dia. Sentia uma nova vida ali. Não havia mais amanhã a sós, ela tinha certeza. Era ela, agora, mais outro! Até o fim! Antes, não havia se dado conta da importância do viver... Agora sabia bem!
Olhou para os lados, viu logo ao pé da cama seu pai, deitado, torto em um sofá pequeno a dar pequenos roncos de cansaço num corpo que recarregava energias. Da janela? Entreaberta, permitia que o sol entrasse para acariciar o ambiente em carícias de luz...
Respirou fundo, sentia por sobre seu tronco o peso delicado que se lhe apresentava como algo tão imensamente doce. Peso tão singelo, tão belo, tão reticente e profundo em metafísicas. O calor transmitia-se dela para ele, dele para ela; uma troca que, sabia desde já, seria eterna - mesmo que seus corpos desvencilhados estivessem um dia, pela vida, por algum motivo que fosse, um do outro.
Ela era mãe! Ela viu-se mãe. Sentiu-se mãe! Ao seu colo estava seu filho. Era em tudo aquilo o primeiro amanhecer como mãe no mundo. Constatou-se mãe e sentiu: tudo ali era lindo aos seus olhos, tal qual nos sonhos que havia tido com a graça da maternidade que sonhou desde há tanto tempo...
Ela sorriu, abraçou o filho que dormia aos seus braços e voltou a dormir o sono leve das mães. Deus estava ali, - e ela sabia, Através de seu filho, enfim, Deus fora-lhe apresentado.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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