Acordou. Era tarde. Não sabia ao cerco quão tarde, mas havia o plano de seguir na proposta de levantar-se sem nem mesmo saber quantas horas eram. Da janela, não via carros, nem mesmo sequer um ou outro transeunte. Concluiu que de fato era muito cedo - ou muito tarde. É a velha questão do copo meio cheio, ou meio vazio, pensou ele...
Tomado seu banho, feito seu café, sentou-se de frente à janela aguardando o sol nascer. Nada dele. Não queria saber das horas ainda. Queria apenas aguardar o sol. O café ia sendo bebido, xícara a xícara... Ovos quentes, isso! Seria um bom café da manhã... Procedeu a fazê-los. Quando retornou à sala, via um vislumbre de sol saindo por detrás do prédio ao lado. Ufa, enfim o dia começaria....
Ansioso, recostou a cabeça por sobre o enconsto da poltrona próxima à janela. Debateu-se um pouco até encontrar uma posição confortável. Sabia ele que havia passado apenas uma fração de horas desde a última vez que ela a vira. Mas ele já estava inquieto de novo, aguardando um novo contato, um novo "olá!", ou, quem saberia, um definitivo "adeus". Era tarde. Era cedo. Ele mal sabia de nada...
O sol estava brilhando já encostado na linha tênue do horizonte - ele imaginava, afinal, os prédios ao lado o impediam de apreciar isso. O horizonte para ele era as imensas gaiolas de concreto chamadas "prédios". Resolveu então sair às ruas. De lá, já cruzou com duas ou três almas vivas que partiam para suas obrigações diárias. Nenhum sorriso ele viu ou recebeu em troca de seus "bom dia"espalhados aos que cruzou por ali... Nada de olhos amistosos. Afinal, quem é amistoso nessa hora do dia? Temperou ele sua decepção com a gentileza alheia pensando assim...
Caminhando rumo a metros à frente - pois ele não tinha um rumo certo naquela manhã, atingiu um velho ponto de ônibus ao qual ele fixava-se por instantes aguardando sua condução nos tempos idos da escola... Momentos de saudade se lhe mostraram na mente. Sentou-se e aguardou seu velho ônibus que, logo, passou! Despediu-se mentalmente dele e das pessoas, novas jovens cabeças pensantes, que entravam rumo aos estudos naquela condução.
Levantou-se, retornou à sua casa. Era um dia de folga para ele. Era um dia qualquer a todos. Era apenas mais um dia - quer fosse de trabalho ou não. E ele ali, aguardando algum contato, algum "olá" pelo telefone.... Mas nada lhe ocorreu. Horas passaram, o sol despiu o céu da claridade e a noite mostrou-se no céu já então desnudo de luz.
Era mais um dia que passava sem nenhum contato, sem nenhum sorriso, sem nenhum "olá!", ou "bom dia!", ou qualquer outra coisa. Foram mais horas perdidas em sua cabeça solitária que mais uma vez ia deitar-se na busca da paz do sono - paz essa que ele nunca encontrava, mas mesmo assim permitia-se insistir em dormir. E dormiu! Era outra noite após um rotineiro dia. Quem sabe dessa vez ele nem acorde? Era o que ele esperava enquanto aguardava o sono, enquanto despedia-se das horas daquele inútil dia, outro dia...
Era mais um dia que passava sem nenhum contato, sem nenhum sorriso, sem nenhum "olá!", ou "bom dia!", ou qualquer outra coisa. Foram mais horas perdidas em sua cabeça solitária que mais uma vez ia deitar-se na busca da paz do sono - paz essa que ele nunca encontrava, mas mesmo assim permitia-se insistir em dormir. E dormiu! Era outra noite após um rotineiro dia. Quem sabe dessa vez ele nem acorde? Era o que ele esperava enquanto aguardava o sono, enquanto despedia-se das horas daquele inútil dia, outro dia...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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