Acordou; rumou aos montes. Ergueu a cabeça acreditando ser o melhor a fazer. Estava acabrunhado. Esteve triste. Acreditou fielmente que não haveria jeito. Foi caminhar de olhos no horizonte, entretanto.
Deu passos rítmicos, quase simétricos. Habituou-se a agir como máquina. Não sentia. Tentava não pensar. Apenas fazia o que levava-se a acreditar ser o melhor. Tentava assim não sofrer. E, assim, caminhou, caminhou, tentando atingir os montes altos que seus olhos fitavam. Era um dia quente apesar do frio que saia-lhe de dentro.
Centenas de passos após, lá estava ele ainda a fitar os montes, o horizonte distante que todos habituam-se a ignorar, afinal, andamos todos costumeiramente olhando apenas para baixo, para nossos pés, nossos respectivos umbigos. O horizonte é um mito aos dias de hoje; ele caminhava fitando os montes, apesar disso.
Milhares de passos após, pés cansados, mente enevoada de esperanças e dos medos de não valer a pena toda a caminhada, foi aquele homem andando e atingiu enfim os montes. Olhou bem para eles. Sentiu seus pés tocando o chão, o chão amparando seus pés. Era a fé que orientava a caminhada? Era a caminhada em si que orientava o caminho? Alberto Caeiro teria o que a dizer? Eram montes, ele sabia...
Subidos os montes. Atingido o objetivo, ele transpassou sua antiga visão e percebeu que havia inúmeros outros montes para além daqueles que atingira após milhares de passos sob sol escaldante. Exercício para a fé. Exercício para a razão. Exercício para a esperança, acima de tudo. Afinal, não faltam montes a rumar até eles. Concluiu que faltam motivos para caminhar, isso sim. Ele estava cansado e sem saber por que estava ali e não simplesmente olhando para baixo como todos os outros. Então, olhou para baixo, viu-se e perdeu de vista o horizonte.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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