A janela está mais perto de mim que meu coração.
Não quero dizer que a desejo, ou algo assim. Não!
Simplesmente constatei tal a realidade que me condena.
Olho para baixo, tamanha altura, e meu ser se apequena.
O medo incontrolável resfria minha alma; dá-me pena!
Nunca imaginei atingir nessa altura da vida tal ponto.
Calado, quieto, passo por pessoas, tantas, mas nada conto.
Também ninguém quer saber das dores do outro. Pronto!
Devo seguir e tomar decisões as quais, sozinho, julgue acertar.
Se do chão nada mais ocorresse, talvez valesse pular.
Talvez valeria a pena ficar do lado da cá da janela, sonhar...
De sonhos em sonhos, sabe-se lá chegue o dia da calmaria.
O que enfim, então, eu faria quando chegasse esse dia?
Como eu me portaria? Das coisas que sonhei, quais as faria?
Irrelevante pensar agora... Por tantas vezes já pensei assim.
De tanto pensar, esperanças malfadas, sempre, cansei de mim.
Vivo esperando algo que me acuda e que coloque nisso um fim.
Mas sigo sem respostas, pelos cantos escuros, de pranto em pranto...
Mesmo que triste, da janela eu teria um fim justo, entretanto.
Nada sei do que se daria dessa minha morte além do espanto.
Todavia, lágrimas doídas cairiam dos rostos de quem me ama.
Fecho a janela. Fecho os olhos. Deito novamente em minha cama.
Prefiro dormir que pensar na morte ou na vida. Pensar me inflama!
Deitado, dormindo, sou um ser melhor, inexisto; sou extinta chama!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

Nenhum comentário:
Postar um comentário