Estamos convivendo no mundo com outra, dentre tantas, crise! Podemos para um minuto e falar do país chamado Ucrânia. Lá, resquícios da Guerra Fria, extinta conforme consta nos livros, mas guerra essa que congela ainda muitas coisas em tempo presente e acalora debates com intenções duvidosas pela paz e liberdade no mundo. Longe daqui, não é? Nada tem a ver conosco, correto? Mas não é tão simples assim... Somos um planeta. Somos uma humanidade só. Devemos pensar! É o que nos diferencia dos animais tidos como inferiores. Podemos refletir e aprender algo.
Direita, ultra-direita, esquerda, ultra-esquerda... Não são nossos poderosos, quais sejam eles, adeptos de norteamentos político-filosóficos que visam direções progressistas e adequadas aos seus países. Tais definições de polaridades no pensamento político visam, ao meu ver, limitar nosso raciocínio a um nível torpe numa espécie de sistema cartesiano da política nada progressista. Correto? Mal sabemos o que queremos, é fato. Falta-nos educação em suas diversas vertentes. Falta-nos amor, acima de tudo. Seja qual lado alguém tenha optado por defender, rapidamente discursos caem em contradição. Será que visam mesmo o progresso, a paz e o amor à humanidade, respeitando as diferenças? Não vejo! Estou tentando ser um realista esperançoso, aos moldes de Suassuna, mas quando penso, vou perdendo esperanças. Sobre a questão ucraniana, o contexto bélico retrata aos meus olhos a dicotomia socialismo x capitalismo que ainda permeia nosso mundo com o viés do interesse pelo poder, não pela razão à causa ou pelo bem estar. Sim, podem dizer que a Guerra Fria acabou. Ensinaram-nos isso. Mas não! Ela ainda congela laços e avanços em toda parte.
Não se consegue, na cabeça de alguns, tolerar o fato de o socialismo ainda existir. No sistema cartesiano traçado nessas cabeças, nada deve desviar à esquerda! Se assim ocorrer, deve ser exterminado. Essa é a mentalidade de muitos. Radical? Sim, ao meu modo de ver. Afinal, o capitalismo é que traz liberdade... Correto? Os povos de países capitalistas são felizes. Correto? Pelo menos vendem essa imagem na mídia. Não há como medir felicidade, mas infelicidade salta aos olhos! Ucranianos não devem então estar felizes. Brasileiros também não. Franceses? Também não! Temos um mundo doente. Que povo quer viver aterrorizado por uma guerra velada em que vê-se mero peão de xadrez, ou seja, sendo sempre os primeiros a morrer? Assim como nesse jogo, os ''reis'' e ''rainhas'' são poupados a todo custo. A hierarquia do tabuleiro se traduz na realidade do mundo. Ah, o jogo de poder que entorpece, convence e, pior de tudo, cega!
Será que o mundo capitalista, lutando tanto para dizimar ideais socialistas ''demoníacos'' que ainda possam existir, não estaria dando nisso apoio à ascensão traiçoeira de mentalidades de ultra-direita? Esquecemos dessa parte daquele sistema cartesiano torpe? Sim, grupos, por exemplo, neo-nazistas que fingimos desconhecer, correto? Sobre, como outro exemplo a questão de hegemonia étnica dos hutus e tutsis poucos ou quase ninguém deve saber... Mas, enfim, fico pensando: uma vez só de nazismo no mundo não bastou? Haverá outra ''filosofia'' de Estado igual ou ainda mais deletéria a ser criada para os próximos anos? Será na Ucrânia? Será na Europa como um todo? Oriente Médio? América Latina? Em outra parte do globo qualquer? Não sei! Vejo que, embora brasileiros sejamos, nascidos e criados em um país de história tão triste, não aprendemos a ver centelhas, fagulhas de ultra- direita que por aqui também cintilam. Será que nosso passado nos é esquecido? Ainda lembramos ou estamos atentos à história de nosso país? Sequelados pela exploração centenária por parte das grandes ''potências'', vitimados pelo genocídio (poderíamos dizer isso!) cometido junto aos negros trazidos para cá, deliberado, etc... Tantos exemplos pelos quais deveríamos cobrar de nós mesmos atenção aos fatos de nossa própria pátria. Ainda há os que defendem os países europeus em relação a nós, para que consigamos nos basear em seu poderio como referência. Claro! Tragam o passado de volta e com ele tudo o que foi roubado de nós em ouro, prata, minério, madeira, sem falar na nossa dignidade... Sim, hoje somos livres, mas até qual ponto? Quem paga nossa conta de mandos e desmandos passados cometidos em nossa história? Nós mesmos.
Há pouco tempo, dada por encerrada nossa eleição presidencial, viram-se aos berros atrocidades deliberadas por todas as redes sociais! Raciocínios odiosos baseados até em ofensivas verbalizando ideias de extermínio a essa ou aquela parcela do povo como sendo ela causadora da desgraça nacional que somos, alguém viu? Esquecemos? Sim! Como se corrupção fosse nosso único mal. Não! Vivemos em guerra. A culpa nunca será apenas do governo. Simplista demais e confortável demais, entretanto, pensar assim. Em sendo confortável, acaba virando a versão comum na boca de todos. A culpa será muito mais do nosso silêncio e de nossa ignorância cega. Não entendemos o que seja ser povo! Nação! Não digo apenas como brasileiro, mas como habitante do mundo. Somos um povo só marcado por inúmeras diferenças. Queremos apenas um governo que nos mantenha na confortável situação de classe abastada gloriosa ou ainda numa classe média intocável! Sim! Queremos o capital! Nada além disso, é o que vejo.
Voltando à causa ucraniana, a região da Criméia, rica em gás e petróleo, definiu chamar-se de ''russa'' em referendo. Essa decisão não importa ao mundo capitalista! Não foi democrática, correto? Se fossemos nós, o que diríamos? Sim, que a ''esquerda'' está corrompendo o mundo novamente. Malditos socialistas, não? Sim, boas são as intenções de paz, amor e prosperidade que intentam em impetrar na Criméia (e Ucrânia como um todo!) a União Européia e os EUA, não é? Sim, eles clamam pela liberdade daquele povo. Sim, eles querem retirar a pobre população engolida pelos tentáculos russos, ou tentáculos socialistas, ou sabe-se lá, até do demônio devem verbalizar por aí. Decerto, o ''mundo ocidental'' está repleto de boas intenções. O petróleo, o gás etc são meros detalhes naquela região. Triste, por exemplo, é que nada desperta interesse em auxiliar na defesa dos direitos do povo nigeriano em tempos atuais ou da população de Ruanda há algo mais de 20 anos. Onde estão ou estavam as ''potências'' ocidentais? Por que será que agimos de forma tremendamente seletiva?
E no Brasil, novamente falando dele, o que dizer? Toda a chamada ''direita'' está preocupada com o bem estar na nação? Sim! Estão lutando pelo bem da pátria? Claro, lutam por ordem e progresso, dirão alguns! Eis então que, clamando por mudanças, criamos um segundo turno com aparente bipolaridade que, todavia, notório fosse, mas cegos somos, eram apenas escolhidas ali duas cores distintas: vermelho e azul. Não era uma disputa de ideais! Haveria boas intenções, claro, defenderão de ambos os lados os que disso gostam. Ledo engano! Triste ver que conseguiram criar a ideia de que ''azul'' é cor do ''bem'' e ''vermelho'' a cor do ''mal''. Já vimos isso tantas vezes... Vemos isso o tempo todo. Sentindo-se derrotados, alguns (graças a Deus, creio que menor parte!) membros da direita saíram em ofensiva contra povos menos favorecidos do país. Chamaram de vários nomes em determinações chulas, agressivas e potencialmente genocidas uma representativa parcela da população. Mas esquecemos disso. Ninguém estava atento, creio eu. Afinal, quem iria se preocupar? O governo que se preocupe com os pobres então, correto? Os pobres que mantiveram o governo da situação, correto? Creio que não! Simplesmente, vendo o resultado das eleições, quase que numa escolha desesperançada retratada em ''cara ou coroa'', nem a direita nacional nem a esquerda nacional tinham forte clamor. Ambas eram tidas como: ''será que vale a pena?''. Sim! Os eleitores jogaram moedas para cima e decidiram um lado. Poucos argumentos válidos, é fato, motivaram votos a qualquer parte. Foi o lado ''vermelho'' o vencedor. É um processo democrático, não? Acho que não é bem assim...
No final das contas, ainda morrerão pessoas nessa briga de socialismo versus capitalismo pelo mundo. No Brasil, pelo que temos, há apenas a briga entre as cores vermelha e azul. Partidos da novela política nacional. Vilão e mocinho! Gostamos disso! Faltou apenas o Pedro Bial anunciando o final do segundo turno dizendo: ''o eliminado da semana de hoje é...''. Não há muitos ideais filosóficos ou político-partidários nem nada que nos permeie a escolha eleitoral, entendem isso? Eu vejo assim. Há o interesse pelo poder entre os poderosos - tantos os chamados de esquerda quanto os da direita. Apenas isso! Na Ucrânia seria diferente? Não sei! Interesses apenas em todos os lados é o que há. O povo? Segue como peão de xadrez, massa de manobra. Mas nós, desde que europeus pisaram aqui, sabemos o que é ser explorado. A diferença agora é que somos uma colônia de muitos interesses, muitos interessados - não mais apenas de Portugal. E na Ucrânia? Não mais apenas há uma divergência calorosa entre ideais políticos, mas sim a frieza dos resquícios da Guerra Fria que nos ensinaram ter acabado. Uma eterna dicotomia belicosa que insistimos em desconsiderar. Enquanto isso, morrem mais e mais pessoas, não morrem apenas sonhos de direita ou esquerda...
O mundo está fervendo! Que não seja o retrato de uma nova guerra. Acho que não temos muitas escolhas, afinal, deixamos tanta gente morrer no mundo sem fazer nada por isso. Total indiferença egoísta. Outra guerra não seria de se espantar. Mas, seja feita a vontade do capital, digo: seja feita a vontade do Senhor. Não é isso que dirão? Enquanto esperarmos por Deus ou por algum líder que seja de fato digno de mudar algo da nossa realidade, esquecendo-nos do nosso poder e de nossa necessidade de educação e mair amor, seremos sempre fadados à guerra, às mortes, às polaridades e extremismos no mundo. Seremos ''manobrados'' pelos interesses de grandes poderes e seus grandes poderosos. Seja aqui, seja na Ucrânia, seja em qualquer parte.
Enquanto não acordarmos para a causa humana, digamos assim, entendendo que somos parte de um mundo que precisa saber conviver com as diferenças e lutar pelo bem comum, veremos esse mesmo cruel cenário que chora pelos 70 anos da atrocidade do holocausto, mas que nada comenta das atrocidades em Ruanda ocorridas pouco mais de 20 anos atrás. Mais amor e mais educação, é o que precisamos para superar tantos traumatismos que temos no mundo de hoje e de ontem - e até o dia onde prosseguirmos com a nossa ignorância.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
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