Abri a porta e vi o dia nascer. Era cedo, mas o sol já brilhava e aquecia a vida. Enquanto mantive a porta aberta, deixei novos ventos entrarem em casa e renovarem o ar que estava preso cá dentro. Tentei sair, mas ainda era cedo demais para tentar dar passos para fora do meu mundo...
Olhei atentamente para as paredes de casa. Já não eram tão limpas e firmes como antes foram. Eu estava ali há quanto tempo? Não sabia responder. Apenas entendi que passaram-se pelo menos alguns anos sem que eu percebesse aquelas mesmas paredes como sendo clausura. Mantendo a porta aberta, novos ares entrando, a luz brilhando em raios que adentravam a partir da janela escancarada, vi que havia um mundo novo lá fora e que eu deveria abandonar as paredes com as quais aprendi entendê-las como sendo o mundo que há. Percebi então: eu estava vivendo o mito da caverna de Platão...
Sai dando passos curtos e ainda precavidos pelo mundo afora. Encontrei na rua novas pessoas, novos ares, novas luzes e novas paredes, claro, mas paredes que não mais me cercavam: eram paredes que ladeavam meus passos, traziam em si novos caminhos, serviam sim como margens, não como obstáculos intransponíveis. O mundo para além das paredes de minha casa era, de fato, imensamente belo. Por quanto tempo eu havia me enganado? Mal fiz eu que até então não havia desfrutado daquele mundo, o mundo real. Mal fiz eu em seguir apenas os rastros dentro de minha casa indo da cozinha ao quarto, do quarto ao banheiro, tendo nisso maior parte de minha vida.
Enfim, eu era pássaro solto e não mais estaria engaiolado! Não mais habitaria a minha caverna a ver sombras e tê-las como realidade! Pássaros são para voar livres - e nós devemos ser livres como pássaros. Cavernas são para guardar escuridão, não a gente. Portas são feitas para comunicarem mundos, não para nos prenderem dentro das paredes que construímos - afinal, não foi Deus quem criou os muros e as paredes: fomos nós! Muitas verdades o simples abrir de uma porta me ensinou.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
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