domingo, 26 de abril de 2015

Povo brasileiro

Quero terceirizar a minha sorte a um qualquer.
Que seja a um homem novo ou àquela velha mulher.
Afinal, o que sei eu da realidade que me avizinha?
Por nada me interesso e do país sou erva-daninha!
Sou do povo acostumado ao latifúndio, à burguesia...
Penso: pobreza é nada. E riqueza? Meritocracia!
Sei das coisas todas nada mais do que me falam...
Quero o resumo da realidade, e os jornais me calam.
Finjo que entendo qualquer coisa a partir disso!
Começa a novela, esqueço a política - não sou disso.
Sou brasileiro e tenho orgulho, afinal é lindo ter.
Pra ser um hipócrita confortável, tive séculos para aprender.
Ao fim de tudo, apenas peço: me entreguem um bom salário!
Que a mim não falte nada - meu sacrifício não é vicário!
Ouvi na missa: "tantos morrem de fome, quem deles cuidará?"
De nada me interessa - apenas sei que esses tantos há!
Mais fácil ainda: desconsidero! Aprendi: quem esquece avança...
Afinal, ficar pensando nos outros para que? E a esperança?
Que tragam-na os sofredores na tal volta do Cristo.
E não me retirem meu dinheiro, peço hoje - aos berros insisto!
Sobre os que passam fome: quem está preocupado?
Eu muito menos estaria, afinal já me digo um coitado.
Meu sonhos de ser europeu estão a cada dia mais distantes...
Em sonhos, vi-me na Europa, mas ao abrir dos olhos: sou brasileiro como antes.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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