Por detrás dessa pessoa a qual me vejo, sozinho, numa alma que segue um qualquer caminho, perco-me no tempo que de mim e por mim passou tendo-me em total desalinho.
Deixei-me levar, intranquilo, permitindo perder-me daquilo que era eu - mas não fui mais, adiante. Seguindo calado, aquietando em mim uma fera assaz solitária, percebi quão atroz foi - e arbitrária! - a decisão de acreditar-me forte.
Pensei que seria fácil vencer os medos que ameaçavam e, com sorte, saberia um dia que fui dono de mim, por assim dizer. Hoje caminho calado, deveras, ansioso mais que antes, cabisbaixo em pensamentos reentrantes que consomem o resto de paz que habita em mim.
Sendo assim, não mais quero viver sozinho, nem tampouco viver a caminhar "de fininho", como dizem. Assim foi como até hoje vivi e nesse hábito me perdi.
Quero ter ao lado uma alma amiga... Enxergar alguém como pessoa querida e que ela dê passos, mesmo que trôpegos, comigo. Quer seja essa figura uma amada, um parente, um amigo, quero saber-me acompanhado de quem quer que seja. Consigo?
Quero não apenas ser como tem sido: eu, acompanhado de mim, condenado a viver comigo - sozinho a desbravar o mundo que por ora vejo e meu mundo de outrora, passado recente ou antigo.
Quero servir ao exército de gente que vive aos pares ou aos montes por esse solo imundo! Gente que sorri sorrisos largos como se não enxergasse esse desespero profundo que temos por mundo.
Quero mais que tudo amar num amor imenso! Quero sentir que ao mundo lá fora eu pertenço mesmo que a sofrer eu veja-me propenso. Antes de tudo quero que eu aprenda estar apto a sorrir!
Quero que em minha existência, por atuações e tantos ensaios, eu faça-me preparado para o momento derradeiro, o clímax, o final da peça de Deus que encenamos: o morrer! Sim, afinal não basta-nos viver, mas precisamos, antes de tudo, aprender a esperar a morte!
Quem esquece que irá morrer pode até ser tido como "de sorte", mas eis que sua hora chega e a despedida que se avizinha ameaça a paz daquele que era tido por "forte".
Eis-me aqui, fraco e carcomido, acompanhado hoje, ainda, apenas de mim mesmo e, comigo, sigo na esperança de encontrar alguém no mundo. Em tendo encontrado esse alguém, quero sair desse abismo profundo que cavei em mim e fui ainda além... Afundei, cavando, minha visão da vida, não apenas de mim.
De tanto cavar, cá estou eu em meio a um lamaçal de esperança carcomida. Disso tudo, tornei-me esse homem que hoje mal sabe (ou nem mesmo quer falar sobre) seguir na vida.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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