Passamos a vida trabalhando. Passamos os dias somando lucros. Passamos todo nosso tempo planejando o que faremos com o que temos adquirido, nos dias de ontem e hoje, quando enfim atingirmos o amanhã. Com isso, vivemos para o amanhã! Pouco vivemos e usufruímos do presente e do passado - sendo esse último apenas um somatório de passos rumo a um futuro que pode nem chegar.
Habituamos à preocupação com riquezas cada vez maiores a serem acumuladas, afinal temos medo do futuro e poderíamos precisar delas lá. Correto? Pensando assim: as viagens que ainda faremos, a vitória contra as doenças que teremos, a fuga das intempéries da vida que nos virão, a solução da casa própria e o fim do aluguel ainda nos hão de vir, sim? Tantos sonhos para o amanhã!
O que resta para o hoje? Quem vive o hoje de forma plena? Quem está por aí a dar-se o direito de viajar - deixando por isso de ganhar dinheiro? Quem está passando mais tempo de férias que alguns escassos dias - podendo usufruir da saúde que ainda tem hoje? Quem está por aí a dedicar mais tempo ao lar que ao ofício em horas de trabalho infindas - podendo estar mais tempo em casa junto aos filhos que por ora estão ali? Poderíamos indagar mais uma enormidade de coisas, enumerando, uma por uma, indagação por indagação...
Em nossos dias, todos habituaram-se a trabalhar ao máximo, ganhando o máximo, extraindo de si o máximo para num futuro poderem aproveitar ao máximo - sendo que esse futuro pode até mesmo nem chegar, assim como aquele filho pode nem mesmo estar mais no lar e aquele lar pode também nem mesmo existir mais.
Ah, como tem sido triste ver o mundo e sabê-lo nos moldes que tem sido exposto às crianças de hoje. Enquanto o dia de amanhã for mais almejado e apreciado que o hoje, seremos fadados à infelicidade e às perdas de esperanças e expectativas. Sociedade depressiva, é o que temos e teremos.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
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