''É de manhã. É de madrugada!''. Não é música de Caetano Veloso, mas sim uma realidade agora enquanto escrevo. É dia 24 de dezembro. É dezembro! É o ano de 2015 ainda. E 2016 quase que já nasce. É hoje, sim, mais um dia em que um ano está novamente quase acabando!
Outro ano de vida... Outro ano a menos da vida! Coisas de ''copo meio cheio ou meio vazio'', entende? Ano de aprendizados. Ano de derrotas. Ano de ganhos materiais e imateriais, etéreos. Ano de coisas que passaram e deixaram marcas. Ano de coisas que apenas passaram e nem lembradas mais são. Ano de coisas que passaram e são parte de nós hoje.
Ano após ano, eis que o milagre de estar vivo vai se perpetuando; até quando? Resta a dúvida, sempre. Dúvida essa que, de alguma forma, Jesus, em sua passagem na Terra, quis deixar como motivação. Sim, motivação! Não saber se hoje é meu último dia deveria ser motivação suficiente para que eu vivesse esse meu dia como podendo ser o último. Ah, se fosse assim...
Se fosse assim, agindo no hoje como se me fosse a última chance, a última esperança: eu não deixaria para amanhã desavenças que tenho hoje. As resolveria de pronto! Eu não deixaria para depois os abraços que eu queria ter dado ontem e ainda não dei. Eu abraçaria hoje, sem medos ou pudores! Eu não deixaria para depois as ações de bem que sonhei fazer e não fiz ainda. Eu faria todo o bem que eu pudesse fazer já agora, sem pensar em medos ou consequências. Apenas faria o bem e pronto!
Se fosse assim, agindo daquela maneira, eu não deixaria para depois sobre comunicar ao mundo que sou grato por tudo de bom e ruim que me deu. Eu acordaria e estaria grato, pronto! Dormiria agradecendo também. Afinal, quem sabe fosse meu último adormecer?
Se fosse assim, agindo daquela maneira, eu não ficaria indo à missas, cultos, templos ou encontros religiosos quaisquer apenas para anotar presença enquanto práticas periódicas de fé socialmente aceita. Não! Eu iria somente exercer atividades assim caso achasse nisso algo de promissor, algo que estivesse a me tornar alguma pessoa e espírito melhores. Afinal, Deus existe para servir e estar presente na fé que é ação efetiva, não em fé que se dá aos broches que ostentamos no peito ou em fé que se exerce apenas nas presenças que marcamos como evento social que Deus tem se tornado no nosso mundo. Eu agiria diferente nisso também!
Se fosse assim, agindo daquele jeito, eu trabalharia com todo o amor que eu tivesse. Não aguardaria do outro as ações que eu mesmo posso realizar pelo bem comum! Faria muito mais o que é preciso fazer do que faço. Pararia de ficar fazendo só ''o que dá''. Agindo assim, eu estaria sendo um melhor profissional hoje. Afinal, amanhã minhas funções podem não mais estar sendo realizadas... Sabe-se lá se eu estarei vivo?
Agindo no hoje como se me fosse a última chance, eu não deixaria para amanhã olhar nos olhos de quem amo e dizer: ''eu te amo!''. Amor é coisa grande e rara. Poucos merecem receber o título de amor. Ah, sim, já houve muitos seres que amamos e hoje temos raiva de ter dado amor. Sim? Não! Ora, mil vezes não! Não se zangue! Amor é coisa que se dá e pronto. Não se espera o retorno! Se amamos e esperamos amor, isso não é amar. Amor é doado e pronto. Receber em troca fica a cargo do amor do outro e nada tem a ver com nossa capacidade de amar. Então, agindo assim, eu amaria mais e de forma mais clara, ampla, irrestrita. Afinal, talvez eu não mais tenha amanhã os amores que tenho hoje - pai, mãe, mulher amada, amigos e familiares queridos, animais amados de estimação, as flores do jardim... Eu os amaria a todos hoje!
Então, tentarei agir assim. Hoje será meu último dia? Esse será meu último ano? Não sei! Nem sei se essas podem ser minhas últimas palavras, mas, se forem, que elas tenham sido sinceras, dotadas do melhor que eu tenha a dar... De forma sincera, plena e pura, dar tudo quanto eu tenha para compartilhar. E que eu exija a cada dia mais coisas melhores de mim para serem doadas, compartilhadas. No mais, não tendo nada a compartilhar e nada de bom em mim ser doado: para que um ano novo, ou um dia novo, ou uma vida que siga adiante?
No mais, mesmo não sendo música de Caetano, usemos delas e das tantas outras coisas lindas que temos da nossa cultura nacional, por exemplo, para compartilhar coisas belas. Assim, estaremos ajudando mais (e de forma mais produtiva) nosso hoje e nosso amanhã - caso ele haja! Vou terminando de Caetano então! ''É de manhã (...) vou pela estrada, e cada estrela é uma flor. Mas a flor amada é mais que a madrugada... E foi por ela que o galo cocorocô!".
Resta então dar bom dia aos novos dias que nos nascem e bom dia ao novo ano que quase chega! Bom dia flor, amada, estrela madrugada... É de manhã! É de madrugada! Viva!
Resta então dar bom dia aos novos dias que nos nascem e bom dia ao novo ano que quase chega! Bom dia flor, amada, estrela madrugada... É de manhã! É de madrugada! Viva!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
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