Vai na estrada o corpo que definha.
O corpo, não é meu, nem a estrada é minha.
Sou eu observador não percebido.
Da estrada, nada sei. Dele? Pouco me é sabido.
Porém, a imagem que vejo passando, me parece
Algo efêmero, pois é carne, e toda carne fenece.
Eu, de cá, em nada diferente sou.
Morrerei, mais dia, menos dia. Sei que vou!
Mas finjo não saber o destino cruel que me será dado.
A morte... A passagem... O fim da estrada. Coitado!
Morrerá o homem que logo adiante, de mim, passa.
E eu? Que farei então? Levantarei do banco da praça,
Retornarei ao meu lar poeirento, sozinho, ao relento...
Serei novamente eu e as paredes. Som? Apenas do vento.
Não há conversas, ou pés socando o chão.
Seremos, somente, minha casa e eu. Não?
Sim. Meus corpos de carne e de tijolos mais cimento.
Sem meus ossos, sem meu chão: qual seria o sustento?
Ah, dois trocados em notas, moedas... Dê-me, quiçá?
Dê-me tudo quanto tiveres, pois nada tenho de cá.
Vá, amigo. Passa! Leva consigo sua vida que é tão boa.
Deixe-me aqui morrer, sem sonhos, sozinho, à toa.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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