quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Foco, força e fé

O tempo surge estranho, ás vezes... Claro, por tempo, entendemos muitas coisas. Estações do ano, o clima do dia, as passadas do relógio, os dias do calendário, as fases da vida... Há tempos demais para discutirmos. Mas, aquele que traz mais identificação conosco em termos de nossas preocupações é o que diz respeito à passagem das fases da vida.

Hoje, menos jovens que ontem. Amanhã, idem. Não nos formamos para envelhecer.  A maior parte da vida trazemos dentro de nós a certeza de que somos fortes, fortes, jovens, quiçá... Por vezes, claro, é humano isso: nos enganamos. Mas é fato que boa parte da vida passamos fingindo que desconhecemos o fato do tempo nunca parar.

O relógio é um incansável. A velhice nos chama, sorrateira. O idade pesa, pouco a pouco, dia a dia... Eis que a imagem da força e personalidade decidida, auto-confiante vai sendo retirada de nós. Vamos sendo segundo plano de nós mesmos. Antes de tudo, dos sonhos que temos, das vontades que trazemos, chega o dia em que passamos a nos preocupar mais com a subsistência, a saúde para o dia de amanhã, pois já hoje está em falta... É, sinais de que o tempo nos laçou.

Mas, será mesmo que deveria ser diferente? Todos os elementos da natureza (exceto as pedras, talvez) mudam ao longo da vida, em sua essência, em sua imagem, em sua aparência e força. Não? Acho que sim. Até as rochas, a bem dizer, vão mudando, mas são mais teimosas. Mudam aos poucos, esfarelando de forma bem serena... Quem sabe elas estejam certas nisso?

Fato é que o tempo passa para todos - seres vivos e inominados. Somos parte de uma essência que desconhecemos a origem, desconhecemos a existência e, logo: não sabemos em que vai dar. Sabemos apenas que ontem as dores nas costas não existiam, ou as dos joelhos, ou as da memória... Ah, as dores da memória. Doem muito enquanto o processo de envelhecer nos acontece. 

Mantenhamos, entretanto, a mente livre, os sonhos sempre vigentes, as vontades da alma mais fortes que as dores do corpo, as tristezas da alma... Sejamos fortes, não necessariamente jovens. O tempo, afinal, não controlamos, mas podemos controlar a nós mesmos e os nossos passos diante das adversidades. Se o tempo é algoz, que saibamos vencê-lo. Basta foco, força, fé... 
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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de setembro de 2015; texto disponibilizado inicialmente em outro blog

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