Queria ser daqueles de sorriso amplo, de assunto fácil... Queria não ser desses que se comprazem na solidão...
Queria mesmo poder dar gargalhadas fartas em diálogos infindáveis, mas sou calado, quieto! Ah, reflexiva sofreguidão..
Quem no mundo hoje consegue viver alheio aos paradigmas da felicidade aparente - mas pouco comprovada!
Mais fácil seria ser daqueles que vivem compartilhando alegria falsa ou elevando ao título de "Felicidade" sorrisos esporádicos, ralos.
Não quero desmerecer a felicidade de ninguém. Óbvio que não! Apenas queria ver motivos para sorrir facilmente tal qual os outros.
E não sou nem de longe um abandonado no mundo... Sou em muito um privilegiado até! Mas mesmo assim não vejo mais que desilusão.
É razoável ser assim? É lícito a mim existir com tais pensamentos? Não sei... Não concordo comigo, mas me absolvo – diria Pessoa.
Quem sou eu para querer mudar o mundo! Queria apenas poder mudar minha visão, ser adepto do sorriso fácil...
Pena que não consegui ainda, vivo, chegar à paz de espírito que, ao meu ver, os demais desfrutam, mas foi-me retirada.
Quem sabe após a morte Deus haja e liberte meu corpo para gargalhar diante de uma nova realidade que me pacifique!
Ora, quem sou eu para exigir algo. Nada quero senão seguir adiante aguardando um dia, sorridente, ser acometido pela invisibilidade.
Sim, invisível! Assim, poderia eu estar calado, quieto, sem sorrir, sem que isso causasse alarde ou incômodo a quem quer que seja.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
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de outubro de 2015. Texto inicialmente disponibilizado em outro blog.

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