quarta-feira, 6 de abril de 2016

Muito


Como eu queria poder matar o tempo. Mas diga-me como? Tenho perseguido um rumo aleatório que me coloca em círculos... Em queda. Pairando no ar, nunca caminhando. Minhas pernas definham assim como minha fé. É justo dizer que talvez eu mereça. Desconheço o que já fiz em outras vidas.

Tudo isso pode ser um martírio estabelecido bem antes de eu ter nascido, sim. Por anos pensei que eu caminharia encontrando luzes... Pensei até que eu iluminaria algo. Mas não. Sou uma tocha apagada ou uma imensa escuridão é o que me há ao redor. Cego? Visão escura... Vejo uma escuridão, e só.

Mas, insisto. Queria mesmo matar o tempo, essa coisa que nos obriga a acordar, dormir, seguir e ter compromissos. Não quero compromissos. Gostaria, a bem dizer, de não acordar mais. Mas o que haveria depois disso?  Queria deixar de pensar, de existir, de ser esse pedaço de carne perambulando entre sombras, escuro por dentro, sem luz por fora. Nada demais eu queria. Apenas isso. É muito... É muito?

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