segunda-feira, 16 de maio de 2016

Tardei

Admiro o tempo que passa,
Mas vejo que passo com ele...
Com o tempo que esvai, o corpo se desgasta.
Como o tempo que vai, vou - pois sou nele!

Rápido ou lento, há o tempo - apesar de mim.
Sou o que penso? Sou tantos; sou fato; sou fardo...
O tempo carrega-me nas horas sem fim
Enquanto, em rogativas, sigo - e tardo, tardo...

As horas passam, aos rodopios, acenando.
São como felizes pássaros perdizes!
Ah, horas fugidias... Voam, voam cantando...
E tu, Deus, o que dizes? O que dizes?

Deixo-me entregue à sorte!
Sou viajor desses rincões sem fim...
No incômodo passar das horas, sigo à morte,
Entregue, sem saber dela, dEle ou de mim.












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