segunda-feira, 16 de maio de 2016

... sem fim

Não sei quantas são as horas que tenho,
Mas sigo refletindo e, em perguntas, me embrenho!
Vejo tão raso o mar de respostas,
Enquanto tão profunda é a lama de perguntas!
Eis que mais um dia chega, e eu: que fiz disso?
Nada faço a não ser tolices profundas
Pensando que sou algo além de mim, algo além "disso"!
Não me obedeço, sendo esse "eu" - ou esse "isso".
Quem dera eu pudesse desfazer-me do que sou,
Doar minha alma a outro corpo que, enfim,
Pudesse seguir minha vida sem eu!
Quantos "eus" há em mim? Vivo, me perco
Nas horas, no tempo, nos dias que passam....
Pensando tanto, agindo tão pouco,
Sou coisa alguma que por ora existe
- e insiste sempre em não sair do lugar!
Sou como veias que esgarçam-se...
Degenerando após a morte se dar,
Jorram sangue e, enfim: as veias morrem...
Jorrando pensamentos, eu sigo, mas morro!
Pois, pensando, faço nada. Fazendo nada, penso mais.
Não sou herói de ninguém,
Muito menos, de mim, capataz!
Não me obedeço, daí sofro horrores...
Sem um comando em mim, o que ofereço?
Apenas existo, sendo alma perdida,
Sem rumo - mas com automático fim -
Sob a inércia de mim, por sobre ágeis dissabores.



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