quarta-feira, 18 de maio de 2016

Testamento

Testemunho deixo que tentei. Tentei ser melhor. Tentei sair da vida sorrindo, ao passo que todos nós nascemos já chorando. Lutei, dei o melhor de mim. Não espero a certeza da confiança de todos nisso, mas é apenas o que preciso dizer.

Anos, anos lutando e esperando conquistar algo, conquistei bagagens e bagagens para levar de amargura, angústias, decepções comigo mesmo e com as coisas, o mundo, as pessoas... Mas, ao passar daqui para outra jornada, não levarei nada. Espero até que não haja nada. Nada!

Aos governantes de minha nação, deixo meus braços. Afinal, eles serviram e apanharam na lida posta por eles. Aos que me odiaram, deixo meus pés para que os coloquem longe deles. Assim, nunca mais ouvirão meus passos chegando... 

Às coisas que não consegui alcançar e com as quais me decepcionei, deixo meus pulmões. Afinal, foram tantos suspiros e soluços de choro por elas. Caso seja difícil entrar num consenso entre dividir meros dois pulmões a tantas delas: enterrem meus pulmões debaixo de um muro qualquer! Pois, assim, decepções foram fortes barreiras contra as quais bati, bati, bati e chorei, chorei, chorei, sem vencer. Seria simbólico e apaziguaria os ânimos!

Meu coração? Deixo para que seja jogado no primeiro rio caudaloso, daqueles que levam ao mar... Joguem-no lá! Quero que meu coração atravesse os mares, depois de morto, pois em vida não fui capaz de fazê-lo conquistar na bagagem as viagens que sonhamos. Deixem que o mar o leve até um tubarão qualquer o devorar. Pois em vida ele já foi tão vilipendiado, mordiscado e ferido aos pequenos cortes a cada decepção... Que, fazendo assim, num derradeiro movimento de um "monstro" real, seja causada a laceração derradeira, mas seja rápida e definitiva. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário