quarta-feira, 1 de junho de 2016

A ciência da consciência

Do amor

I

Ame!
Depois de amar:
ame novamente!
Quem ama, ajuda.
Quem ajuda, sente
valer a pena amar!
Quem é ajudado,
aprende que ajudar
é demanda evidente.

II

Doar de si é amar
- ao ajudar, ao perdoar...
Ame, acima de tudo!
Ou ame, tão somente!
Não dê amor exigindo reação!
Amor não é sentimento vão...
Não se mede em competição!
Vê mais do amor quem o oferece
que aquele que o sente!
No sentir, não cabe ostentação.
Sentimento ostentado adoece
e morre precocemente!

III

Insisto para que fique ciente:
Amor é visto quando se sente,
Mas é mais nítido quando doado.
Algo dado com amor, não se ostenta!
Quem ama, insiste, tenta e tenta...
Até o dia em que a dor, lazarenta,
Ganha mais espaço que o amor...
Quem ama persiste e aguenta, aguenta...
Mas, quando há mais de rancor e de dor,
observa bem, reflete e sente!
Pois, sorrateiro, o amor se ausenta!

IV

Não mate o amor insistindo nas dores!
A vida, em si, já nos inunda com horrores...
Se tens sorte no amor, tenha-o por meta!
Insistindo nas dores, remoendo dissabores,
o sentimento que era certo, vira coisa incerta.
E onde havia uma "tela" com cintilantes cores,
acabam restando esguios traços em cinza e preto,
numa ''obra'' discreta, escura, frágil como um graveto.

V

Ame! Ame sempre. Insiste! Insiste sempre.
Aguenta até o máximo que sente ser seu limite.
Após a "curva da estrada", pode haver longa reta.
Se por ora não enxerga o futuro, o "adiante da curva",
aguarda quieto, silente e, confiante, segue este palpite:
"o amor, quando há, clareia a paisagem turva que existe!".

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