Hoje vi um homem da rua - e vi um pouco de mim.
Éramos ele e eu na esquina, sob uma noite de lua.
Enquanto eu passava, ele me olhava e pude enfim
ver a fome nos seus olhos, a sede na sua saliva...
Vi que quase ninguém o enxergava e passavam todos
intocáveis; alguns em postura altiva...
Por um momento, vi-me no chão, ali, com frio
com fome. Vi-me morrendo numa noite escura,
numa rua - ela e eu, sem nomes.
Éramos ali dois seres unidos por nossos olhares.
Eu o via; ele via a mim. Fiquei imaginando
as oferendas que fazem a Deus em altares...
Mas e aos tantos filhos dEle que morrem
em miséria, em cenários assim?
Há tantos pelas ruas, profundamente esfomeados...
Há tantos pelos templos, completamente ensoberbados...
Muitos homens seguem, fiéis, as cartilhas da fé que têm,
mas como não assistem aos miseráveis, humanos abandonados?
Como não lutam contra o sistema de desigualdades em que se inserem?
Sinto que Deus vê tudo por uma fresta que há nos céus.
Deve Ele considerar muitos de seus fiéis,
"homens de bem" na Terra, na verdade como réus.
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