A vida é um cenário complexo onde investimos, ganhamos e perdemos dia após dia. Investimos em carinho. Ganhamos ingratidão. Investimos em gentileza. Ganhamos desdém. Investimos em paz. Ganhamos conflitos. Investimos em nós e perdemo-nos de nós mesmos, não raro. Mas esses são só alguns exemplos. O que recebemos de volta, como reação da vida e das pessoas, depende em muito (para não falar totalmente) de nós - seja para bem, seja para mal.
A vida nos exige, sim, coragem! Muito sapiente foi Guimarães Rosa em sua investida literária, na qual a coragem virou parte essencial da leitura e da memória dessas leituras. A vida quer mesmo, de nós: coragem. A vida quer que sejamos investidores da esfera dos sentimentos. E sentimentos, antes de qualquer coisa, são nossa primeira motivação de qualquer, qualquer ato.
Assim, quando penso em trabalhar, o faço pelo sentimento de gostar do que faço, amor pelo trabalho edificante. Mas também, não raro, o faço somente pelo sentimento de prover aos meus descendentes e a mim mesmo, ao meu projeto de vida, a riqueza necessária para subsistência e, quiçá, quando dá, algum excesso no aspecto material dos sonhos e ambições. Sim, ambição é um motivador ao trabalho também.
Quando acordo, isso é automático. Mas, para levantar da cama, para encarar o dia, é necessário um sentimento de "valer a pena", digamos assim. Ou de uma gratidão pelo novo dia que se inicia. Ou, novamente, apenas por achar necessário à nossa condição de vida ter de levantar para prover riquezas e ganhos às nossas vidas.
Entendem onde quero chegar? Cada ato traz em si um sentimento imediatamente correlacionado. Mesmo que queiramos fingir ser algo que não somos, muitas atitudes se nos aparecem como oportunidade de desnudar nossa personalidade, deixando claros traços bons ou ruins que tenhamos por temperamento. Exemplo: quando alguém me ofende, eu reajo de alguma forma. Posso reagir com golpes violentos, fisicamente. Posso reagir calando, acreditando que não vale a pena discutir, e ignoro aquela pessoa. Posso aprender a perdoar aquela pessoa, pois sei que na ânsia dela de se motivar a fazer isso ou aquilo, algo a atrapalhou e levou adiante uma resposta de raiva, motivada pelo sentimento de insatisfação. Sim? Deu para entender?
Dessa forma, tudo na vida demanda respostas. É ação e reação a todo tempo. Os depressivos sofrem muito com a doença, uma vez que as capacidades de sentir, esboçar sentimentos, afetos, transparecer suas reais necessidades de ajuda ficam nubladas, enevoadas, pouco visíveis aos olhos das pessoas ao redor. Ainda mais nesse mundo em que olhamos pouco nos olhos do outro e, de fato, raras vezes perguntamos - querendo mesmo saber: "você está bem, amigo?".
Perder esse gatilho entre sentir e partir imediatamente para uma ação, ou reação, é algo dolorido. Por isso a depressão torna-se, ao meu ver, a doença mais incapacitante que há. Pois a pessoa está dotada de um corpo ágil, são, de incontestável capacidade de agir e reagir diante da vida, mas não consegue aquele gatilho de sentir-agir/reagir. As consequências disso? Infindas. Desmotivação prolongada. Autodecepção. Autocondenação. O refazimento fica de lado. O autoaprimoramento perde espaço para o destempero para consigo mesmo. Muitos, não raro, sem aqueles sentimentos bons do autoamor, do perdão a si mesmo, usam um último gatilho: criam coragem e se matam. Não raro através de um outro gatilho, mas dessa vez não em metáfora.
Dessa forma, autoamor é uma necessidade. Agir e reagir também. Precisamos entender que sentimos. Entender que somos seres dotados de sentimentos, por mais frios que possamos ser, por mais calados e quietos que a vida nos tenha permitido nos transfigurar. Muitos "calados", "silenciosos", muitos seres "antissociais" são, na verdade, pessoas que estão em intenso diálogo consigo mesmas e, não raro, estão "perdendo". Sim, pois não raro perdemos para nós mesmos nas tantas vezes que digladiamos conosco próprios. Aos depressivos, isso é ainda mais destrutivo.
Dessa forma, entendamos todos: sentir é algo imperioso, e todos sentem ao seu modo e expressam-se, também, ao seu modo. Ressentir? Muitos o fazem - seja em gestos visíveis ou gestos de silêncio ofendido, de mágoa. Perdoar? São poucos os que, de fato, entendem o potencial deletério do não perdoar - que gera ressentir doentio, ressentimentos deletérios em mágoas atribuídas ao ato do outro. Porém, a mágoa, o ressentimento, nada mais são que nossas interpretações deletérias e autodestrutivas da ação do outro. A ação em si, sobre nós, na maioria das vezes em nada nos prejudica, mas ofende sentimentos nossos. Daí, nossos sentimentos serem ou não ofendidos é nosso problema.
Eu nunca poderei me sentir ofendido com algo ou alguém se não me permiti, como reação de minha parte, ser ofendido pela ação do outro. Quando não me ofendo, estou entregando à pequenez das coisas uma ação negativa que alguém, seja ela quem for, achou que eu merecia receber. Quem não se ofende não precisa exercer o perdão uma vez que nem chegou se ofender. Não deuvalor ao ato potencialmente ofensivo porventura existente. Sim? Entendem?
O depressivo, todavia, não se perdoa. Se destrói consigo mesmo, diante de si. Ele se arrebenta de dentro para fora, muito embora quase todos o vejam como silencioso, quieto, pacato, embotado. O depressivo é, tentando resumir, uma máquina que não funciona direito - mesmo que todas as peças e funções estejam aparentemente normais, sem erros nem nada.
Vendo o mundo como um somatório de pessoas e suas atitudes (embasadas em seus sentimentos e pensamentos), entendendo que cada ser constrói seu entorno e sua (auto)imagem no mundo a depender das ações e reações que externa: quando sentir algo que o faça desmotivar, ressentir: repense! Aja diferente. Inspire em si uma resposta diferente, de bem, à vida.
Espalhe amor, compreensão, docilidade onde haja sentimentos de dor, rancor, remorso, injustiça, crueldade, desfaçatez. Se amor, compreensão, docilidade não forem possíveis ainda, espalha pelo menos sua parcela de silêncio e quietude. Cala. Pensa. Aja depois, se for o caso! Não contribua com novos sentimentos e ações que personifiquem malefícios - a outros, ao mundo, a si... Essa é a cura para depressão: pensar, repensar e, enfim: agir sobre o mundo e sobre si mesmo junto às demais pessoas. Mais ainda: está nessas atitudes de repensar e abrandar as reações a cura para o mundo! Precisamos fazer um mundo que não tenha nas ofensa e nas desavenças coisas tidas por "comuns", "cotidianas" ou "normais", menos ainda.
Amar, saber perdoar, olhar o que há de bom no outro para além da mágoa que ele tenha tentado infringir a outrem - ou a nós mesmos. São, tudo isso, coisas essenciais nos dias de hoje. E, diga-se de passagem: de fato muito difíceis de se exercer. Mas, que exerçamos, mesmo que entre falar (que é fácil) e vencer a si mesmo (exercendo esse difícil aprendizado) haja toda uma real dificuldade!
Vendo o mundo como um somatório de pessoas e suas atitudes (embasadas em seus sentimentos e pensamentos), entendendo que cada ser constrói seu entorno e sua (auto)imagem no mundo a depender das ações e reações que externa: quando sentir algo que o faça desmotivar, ressentir: repense! Aja diferente. Inspire em si uma resposta diferente, de bem, à vida.
Espalhe amor, compreensão, docilidade onde haja sentimentos de dor, rancor, remorso, injustiça, crueldade, desfaçatez. Se amor, compreensão, docilidade não forem possíveis ainda, espalha pelo menos sua parcela de silêncio e quietude. Cala. Pensa. Aja depois, se for o caso! Não contribua com novos sentimentos e ações que personifiquem malefícios - a outros, ao mundo, a si... Essa é a cura para depressão: pensar, repensar e, enfim: agir sobre o mundo e sobre si mesmo junto às demais pessoas. Mais ainda: está nessas atitudes de repensar e abrandar as reações a cura para o mundo! Precisamos fazer um mundo que não tenha nas ofensa e nas desavenças coisas tidas por "comuns", "cotidianas" ou "normais", menos ainda.
Amar, saber perdoar, olhar o que há de bom no outro para além da mágoa que ele tenha tentado infringir a outrem - ou a nós mesmos. São, tudo isso, coisas essenciais nos dias de hoje. E, diga-se de passagem: de fato muito difíceis de se exercer. Mas, que exerçamos, mesmo que entre falar (que é fácil) e vencer a si mesmo (exercendo esse difícil aprendizado) haja toda uma real dificuldade!
Amemos aos outros e nos amemos a nós mesmos! Perdoar sempre. Exigir? Jamais. Colaborar? A todo momento; sempre! Construir pilares de paz, harmonia e fraternidade? Desde já! É no agora que as coisas boas começam - embora as ruins também. Agindo com força e convicção nas ações pelo bem comum, pela fraternidade universal sonhada: seremos melhores conosco próprios, com o mundo, assumindo a nós mesmos como exemplos que deixamos aos demais companheiros de jornada - e, mais ainda, às crianças que tanto nos observam e se espelham.
Ademais, olhemos para as criancinhas! Sejamos como elas. Decerto as criancinhas amam com a pureza daqueles que entregam-se sem nada pedir. Esse é o foco! Elas sabem perdoar muito mais do que nós. Agem dotadas da humildes de coração, sendo benevolentes e indulgentes, sempre, para com os demais. Em essência: elas que são exemplo para o mundo através de seus sentimentos e de suas ações. Crianças não tem orgulho, nem ódio, enraizados. Não estão fixadas em solos agourentos dos sentimentos ruins que trazemos na vida adulta. Se há crianças que agem mal, isso constrói-se quando erramos para com os ensinamentos a elas. O erro é nosso!
Bem nos alertou Jesus. De fato, delas, as criancinhas, é o Reino dos Céus onde promete-se tudo ser puro, bom, humilde e belo. Quem consegue se permitir ser como as crianças, traz para dentro de si aquilo que nos é prometido no Reino dos Céus: a paz, o perdão, o amor e, na mente dos que observam sua existência: tornam-se eternos, pois deixam saudade.
Em sendo mais humildes, mais amistosos, mais fraternos, indulgentes, humildes, benevolentes, que assim, no último dia de nossas vidas, possamos trazer à mente uma gostosa sensação que se configura numa frase belíssima de Fernando Pessoa que diz: "nunca fui senão uma criança que brincava".
Bem nos alertou Jesus. De fato, delas, as criancinhas, é o Reino dos Céus onde promete-se tudo ser puro, bom, humilde e belo. Quem consegue se permitir ser como as crianças, traz para dentro de si aquilo que nos é prometido no Reino dos Céus: a paz, o perdão, o amor e, na mente dos que observam sua existência: tornam-se eternos, pois deixam saudade.
Em sendo mais humildes, mais amistosos, mais fraternos, indulgentes, humildes, benevolentes, que assim, no último dia de nossas vidas, possamos trazer à mente uma gostosa sensação que se configura numa frase belíssima de Fernando Pessoa que diz: "nunca fui senão uma criança que brincava".
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