Da coragem para fazer a vida:
Sou estrangeiro a mim mesmo.
Não entendo tudo quanto faço...
Temo perder o senso, o ciso, e passo
Dia após dia revendo meu traço.
Ora ansioso e triste, ora alegre,
Sou um rosto mudando o cenho...
Uma peça do jogo do mundo, entregue.
Desconheço quase tudo, mas me empenho.
Trago bagagens somadas na memória.
Algo grita dentro de mim: "Segue! Segue!",
Mas, medroso, traço lentamente a história.
Tento ser, enfim, escritor de um conto alegre.
Se não houver coragem, qual vida vale a pena?
Se não houver heroísmo, qual história atrai atenção?
Um conto fica, sem protagonismos em cena,
Fadado a morrer em esquecimento, escuridão...
Sob isso tudo, vou escrevendo-me no mundo
Como história ainda lesa, sem muito enredo.
Vez ou outra, emerge um vilão inquisidor, ao fundo...
E a mim, protagonista? "Hora de romper o degredo!"
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