quinta-feira, 14 de julho de 2016

Basta! Basta!

Ah,... onde estou eu que não me encontro?
Basta! Basta! Já me cansei de procurar.
Onde estaria um ser enfadonho como eu?
Pensei diversas vezes que havia me encontrado.
Olhei tantas vezes para o lado achando que me veria ali,
mas não. Nunca me acho. Persigo, sigo e nada.
Nada!
Basta!
Não quero mais saber de mim.
Estou cansado de viver percorrendo o rastro do que fui,
do que sou.
Tento encontrar algo que seja eu.
Pego-me pelas mãos tentando sentir a mim mesmo,
mas não sinto nada, não me causando calor algum.
Sou um reles como outros tantos reles como eu.
Sou um insucesso que conquistou seu ápice em si mesmo!
Pronto. Aplausos para a bestialidade do ser que fala.
Sou eu. Sou eu!
Ouçam o que eu digo: não quero dizer nada!
Não me perguntem, nem me procurem.
Eu mesmo não sei onde estou nem o que sou.
Basta!
Basta!
Corro daqui e dali tentando agora não me encontrar, deveras.
Estou farto. Estou insano. Estou cansado.
Cansaço.
Cansaço.
Quantos mais suspiros hei de dar achando-me cansado?
Quantos mais assombros terei ao olhar para mim e
não me identificar comigo?
Ah, quem dera eu fosse um outro qualquer,
um comum que perambule pelas vias públicas
sem nem saber quais horas já se passaram no dia...
Ah, cansei de correr em vão ao redor de eixos que desconheço.
O tempo não se mede pelo que passou, mas sim pelo que deixa de vir.
Não quero então perder mais nada.
Se perdi-me de mim, que tenho eu que ver com isso?
Pouco me importa o eu quebrado e perdido que há por aí.
Não me quero em entrelinhas.
Não me quero em suspeitas de onde irei estar.
Se estou perdido, deixem-me perdido.
Basta!
Basta!
Não quero saber de mim!
Quero apenas seguir dia após dia e, com sorte,
encontrar meu fim!
Basta!
Basta!
Cansei de estar cansado e perseguindo-me.
Não sou osso para cão qualquer encontrar-me.
Basta!
Basta!
Não farejo mais que meus medos e insanidades.
Deixem-me ser louco e medroso.
Deixem-me ser só e vazio.
Deixem-me tal qual estou: chato, ranzinza e cético.
Sou um cão sem dono que perdeu-se ao perseguir o próprio rabo.
Deixem-me com minha desorientação vil e meu completo desajuste.
Pronto!
Basta!

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