Ah, a janela de meu quarto.
A janela do quarto onde me deito.
Deitado, olho e ela se me mostra aberta.
Vejo todo o mundo defronte da minha sacada.
Imagino como seria se as pessoas fossem como janelas.
Se fôssemos como janelas, sem trancas, sem interposições,
nosso interior seria facilmente acessível, alcançável, visto.
Mas somos formados para fecharmo-nos para o mundo.
Ensinaram-nos um dia que quem muito se expõe, vira presa fácil.
Mas sinto que não haveria segredos se pudéssemos nos abrir feito janelas!
As pessoas poderiam ser mais sinceras umas com as outras e consigo mesmas.
Haveria menos dores no mundo (e dentro de mim)? Creio que sim.
O que me faz ser eu? Há uma enormidade de erros, acertos.
Mas nem tudo em mim é exposto.
Eu tenho acesso aos mais escondidos recônditos de meu ser.
Mas e os outros? O que consigo deixar que vejam?
O quanto veem de mim? Sou claro a eles? Transparente?
Ergo-me da cama e tento refletir sobre como ser mais visível.
Olho para a janela e vejo pessoas passando e não as conheço.
E eu para mim? Conheço-me a fundo? Quanto?
Olho para o céu e ele se mostra uma incógnita à luz do sol.
Resta a mim iluminar-me de algum modo e expor-me ao mundo.
Os medos me vêm à tona e temo não conseguir me mostrar.
Querendo ser felizes, escondemos nossos maiores defeitos
e tentamos banhar as mãos dos outros que nos tocam com qualidades.
Não somos só qualidades. Há em nós uma enormidade de fantasmas
de passado, de presente e de futuro.
Somos eternas crianças assombradas,
mas ensinaram-nos a ser (ou nos mostrarmos) fortes diante do mundo.
Vejo que precisamos ser feito janelas para acesso à nossa própria alma.
Precisamos ser melhores ao enxergar (e ao expor) a nós mesmos
- sem máscaras e sem estarmos fechados em nós próprios.
Somente assim estaremos sendo sinceros diante dos outros.
As pessoas irão nos amar ou nos odiar quando estivermos expostos?
Não sei! De minha parte, vejo-me repleto de medos e inseguranças.
O mundo é cruel com os temerosos.
Precisamos ter coragem, mas, para isso, haveremos de ser fortes.
Precisamos ser nós mesmos por inteiro, sem interposições, máscaras ou trancas...
Tentemos nos abrir mais para o mundo, então!
De minha parte, torço para que seja uma boa ideia esse devaneio
- e torço para que o mundo não me castigue com mais lágrimas.
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