Acordei um dia e já não era eu mais.
Olhei ao redor, na cama, ao lado, o vazio.
Vi-me despido da vida que sonhei num instante.
Eu havia me travestido num sonho bobo outra vez.
Todo sonho de amor é, entendo hoje, bobo.
A tolice de crer no amor mata mais que o ódio!
A morte que se dá é interna... Não se perde o corpo!
Perde-se a alma!
Perdem-se os bons pensamentos, a alegria para viver...
E restam os sonhos de perder o viver para, assim,
poder defrontar a invencível falta de alegria.
Sim, perder o amor é perder-se.
Perdendo-se, tudo fica mais vão que o de costume.
Não há sentido em nada!
Não há nada que traga sentido algum!
Tudo resume-se ao vazio.
Espaço e pensamento vazios.
Vazio...
Vazio...
Onde havia dois e o amor se retirou, não fica nada
- nem mesmo o um que restou abandonado,
calado, atônito, frio, obtuso...
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