segunda-feira, 1 de maio de 2017

... e pensou...

Acordou e olhou para o lado. A cama estava vazia. O coração? Cheio de memórias. A mente? Repleta de insegurança. Ele estava só e aquilo fazia a ele um grande mal. Saiu da cama. Vestiu-se. Fez um café. Avaliou as nuvens no céu para antecipar se choveria ou não. Optou por sair sem o guarda-chuvas. 

Fora de casa, cruzou com um casal vizinho de velhinhos. Os cumprimentou e foi correspondido. Ambos responderam ao mesmo tempo. Ele divagou um pouco sobre aquilo. Nos casais de longa data, acaba que um se torna o outro, o outro se torna o um a ponto até de responderem da mesma forma, ao mesmo tempo, um insignificante ''olá!''. Ele deliciou-se ao ver-se pensando no amor. Viu-se num futuro com uma mulher amada ao lado. Passeando numa praça. Levando consigo suas memórias em conjunto. Cumprimentando vizinhos ao mesmo tempo, da mesma forma...

Ele saiu daquele devaneio meio confuso. Estava já meio atolado em memórias de solidão. Não se via mais com alguém devido suas tantas inseguranças e medos? Ele nem arriscava mais novos amores. Havia perdido o amor que tanto amava por erro pessoal dele... Ele errou! Não costumava se perdoar. Pensou naquilo tudo e pensou de novo...

Parou de pensar em amor, em futuro. Dedicou-se a pensar no hoje. No dia que corria. Então, lembrou-se do boleto no bolso a ser pago. Entrou num caixa rápido e pagou sua conta. Saiu dali algo mais pobre, mas não menos triste. Sabia já que pensar em amor, para ele, havia se tornado um fardo.

Ascendeu um cigarro. Encostou-se numa parede e soltou alguns suspiros esfumaçados. Foram-se 1, 2, 3 cigarros sendo consumidos pelo fogo enquanto ele consumia-se em pensamentos. Viu-se novamente a pensar no amor, na sua solidão. Irritou-se! Jogou a ''bimba'' do cigarro no chão e pisoteou a mesma com toda força. Parecia que queria esmagar outra coisa. Enfim... Seguiu seu caminho e terminou seu dia sozinho como em todos os outros dias recentes de sua vida vazia de amor (ou sentido?).

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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