quarta-feira, 14 de junho de 2017

Paisagem para amanhã

Sinto-me tocado por coisas sóbrias ao meu redor....
E sinto-me regozijado!
Sinto-me apunhalado por coisas sombrias ao meu redor...
E sinto-me amedrontado!
A sobriedade não meu deu paz.
As sombras não me abandonaram, decerto.
Escuro, frio, como um pedaço de carne esquecido no chão,
sou eu mesmo um pedaço de carne que o tempo digere.
Não mais carrego a saúde que tive,
nem mais tenho tantos anos pela frente para seguir.
Pode ser hoje meu último dia?
Quiçá? Sou nem tão velho, mas nada mais moço a cada instante.
Pode ser hoje meu último dia?
Quem me dera? Poderia eu, pelo menos, escolher a paisagem para amanhã?

Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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