Sim, não é novidade: pessoas de diversas partes do planeta, de diversas idades, em diversas condições sociais, têm sucumbido ao desespero das ideações de autoexterminio e, até mesmo, atingindo o fim pretendido que é a morte. Porém, fazemos algo diante disso?
Vejo que em setembro, pessoas que passam os demais onze meses do ano ironizando e chamando de "mimimi", "frescura", "falta de fé" e de "força de vontade" são dominadas por um espírito de lindos dizeres... Fazem textos lindos, oratória impecável, diante do flagelo da depressão e do autoexterminio alheios... E, tão de imediato ao fim de setembro, tudo volta ao que era antes... Desdém, ironia e apontar de dedos - e outras tantas atrocidades como piadas e sarcasmo.
Hoje sei, muito mais do que acho, pois tenho convicção: tantas pessoas cometem autoexterminio dentro da doença, por causa dos seus sintomas, fato... Mas boa parcela comete essa agressão derradeira diante de seu sofrimento por causa das pessoas. O desdém, os ataques, a indiferença - que é pior que tudo, levam o depressivo a um estado de isolamento que potencializa imensamente seu sofrimento... As pessoas não apenas condenam, mas se cansam e se afastam, desistem, indiferentes...
Mesmo que haja controle dos seus sintomas, o sentido da vida está completamente desfeito nessa hora. O depressivo vê que não há nada além de sofrer para adiante. "Continuar sendo esse estorvo?". "Continuar sendo humilhado?". "Aguentar mais a nítida percepção de que todos e todas não gostam da minha presença e, quiçá, da minha existência?"...
Sim, tantos e tantas cometem autoexterminio pela ação das pessoas e não pela ação das misturas de medicações diante das misturas de percepções em seus sintomas. Mas quem se importa com isso? Não é setembro...
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