quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Ao Amigo Caeiro

Quem me dera ver-me cantando aos montes e prados
Como se não houvesse tristezas no mundo
Um monte é um amontoado de terras
Como eu sou um amontoado de tristezas
Triste em meio a uma pitada de alegrias incontestáveis

Mas o mundo não é feito para ser sofrido
Mas simplesmente vivido!
E que vivamos a vida de forma correta
Como o vento que passa, ruidoso ou não
Mas passa sem que para isso precise pensar ou sofrer

A vida é um vento que passa
Nós, seres, simplesmente somos!
Caso contrário, não nos apelidariam de “seres”
Somos o que somos
E isso deve bastar a nós!

Incontáveis vezes o desespero se nos apresenta
À porta de nossos dias.
E num, lampejo de desatino,
Desesperamo-nos como quem nunca tivesse vivido antes
Ou sofrido um primeiro sofrimento.

Cansamo-nos da vida por sermos seres cansados
De tanto pensar e medir as coisas.
Há metafísica demais em nossas mentes
E pouca (bem pouca) na natureza.

Vivamos o natural da realidade incontestável,
Apenas isso!
Seremos felizes, conforme Caeiro,
Se assim fizermos.

Pedro Santos Xavier

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