Pulou, gritou...
O palhaço se achava
Engraçado.
Naquele dia, algo mudou.
(Coitado!)
Acordou. Correu. Andou.
Falou. Olhou. Observou:
Não era mais aquele palhaço.
Sentia-se um fardo.
(Coitado!)
Não era mais engraçado
Ou o mundo é que estava triste?
Era com ele ou era com todos?
Que havia mudado?
O palhaço, então,
sorriu por um instante
para seu reflexo num copo d'água.
Mas logo em seguida chorou!
A máscara caiu.
Caída ficou...
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
Explicação: a sociedade atual tem se tornado insensível e um tanto quanto hipócrita. As frivolidades de outrora, a inocência, a beleza das coisas ingênuas eram motivo de sorrisos. Os palhaços eram eternos baluartes da alegria humana. O palhaço muito se utiliza das coisas corriqueiras e da ingenuidade nelas para fazer as pessoas sorrirem. Mas, as pessoas de hoje não mais possuem a beleza da ingenuidade, da inocência. Vivemos em um mundo de pessoas decepcionadas consigo mesmas, envoltas em um mar de atrocidades. Vive-se uma vida baseada em prazeres e, com isso, as pessoas perderam a inocência. As crianças não mais conseguem sorrir dos simples palhaços patetas de outrora. Elas apenas sorriem para os desenhos animados fúteis (muitas vezes) impregnados de maus exemplos na TV.
O poema retrata um palhaço que nos dias de hoje tenta fazer as pessoas sorrirem como em tempos passados - daí, diz-se: "O palhaço sorriu, / Pulou, gritou. / O palhaço se achava / Engraçado...". Porém, as pessoas não mais acham graça nele. O mundo está triste e um tanto quanto mudado - diz-se a partir disso: "Falou, olhou e observou: / Não era mais aquele palhaço. / (Coitado!)".
O palhaço percebe que o mundo mudou, e sorri dos erros humanos, mas logo se dá conta e chora. De rosto pintado, o humano dentro do palhaço chora atrás de sua máscara de tinta. As máscara se desfaz. Ele, percebe que não há mais espaço nesse mundo para ele, daí, decide não mais ser aquele personagem. Volta a ser simplesmente um humano - daí, é dito: "O palhaço, então, sorriu, / Em seguida chorou. / A máscara caiu, / E caída ficou...".

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