A estrada do tempo é tortuosa, mas sigo nela, apesar de ansioso,
À espera da próxima parada. Sinto o vento bater em minha face,
Enquanto, a cada passo, o horizonte se me torna menos distante.
Completo hoje um quarto de século! O passado já me é repleto,
Não mais curto em memórias como antes. Repleto em si,
Em memórias e vivências, boas ou ruins.
Caminho rumo a novos anos, criando, a cada dia,
Novas recordação para o amanhã.
Continuo seguindo a estrada do tempo!
Em cada curva dela, da vida que passa,
Quando percebo estar diante de um novo obstáculo,
Respiro fundo. Sigo firme, apesar dos medos
Que insistem em me acompanhar...
Sigo e carrego-me apesar deles!
E essa a jornada pelo tempo.
Sei que, adiante, o caminhar será, novamente,
Correto, sereno, tranquilo, reto...
Sigo ansioso a estrada do tempo que encurta-se.
Envergonho-me dos medos que por vezes ainda tenho.
Medos sentidos, ressentidos.
Mas se não houvesse medos,
Como saberíamos o que seria ter coragem?
Diferente disso que sou, eu não poderia ser.
(ou não consegui sê-lo!)
O tempo já hoje se me apresenta como penoso relógio
A fazer um eterno e sonoro "tic-Tac" que persegue-me,
Despertando em mim uma ansiedade que, outrora,
Não me pertencia. Já fui jovem demais para entender...
Vejo-me diante do espelho. Meu corpo, minha mente,
Minha personalidade...Tudo mudou! (Tudo mudou?)
Não sou eu mais o mesmo. Aquele eu jaz há alguns anos.
Mas, apesar de mim e de meus anseios,
O tempo segue firme! Sempre a correr.
E eu? Sigo no encalço dele. É o que me resta.
Sigo sereno, e não menos firme, apesar dos medos
E de tantos anseios ainda meus.
Mas o tempo, embora pareça-me um inimigo,
Serve a mim uma vez que me encoraja.
Apesar de tudo, empurrado pelo tempo
Tenho seguido adiante, sempre adiante.
Por que eu seria diferente nisso?
Seguirei até que o tempo pare para mim
(Ou pare em mim?).
Não importo-me com ''quando?'',
Mas, uma vez que chegue esse dia,
Estarei cansado de tanto ter caminhado.
O tempo parar será, para mim, algo de alívio.
Será como uma benção que estarei a testemunhar
Quando esse momento enfim chegar.
Porém, após isso, apesar dele, seguirei sozinho.
Sim! Aonde vou não me interessarão as horas
- apenas as recordações de tudo aquilo o que aprendi.
Sei que, após esse dia, tornar-me-ei escravo do tempo
Novamente! Não saberei quando será esse novo dia.
Mas, até lá: seguirei sereno.
Num universo infinito, sou apenas um grão de areia,
De tão pequeno. Resta-me seguir adiante.
Sigo cego e sugo da vida o que posso.
Digo cego, pois, a mim, não importa simplesmente
O que vejo, mas, sim, o que aprendo com os olhos.
Tenho aprendido o suficiente?
O tempo? Não o vejo. Nunca o vi.
Mas aprendi com ele muitas coisas.
Afinal, na vida, apesar de tudo e todos,
Fomos apenas eu e ele, sempre!
Um no encalço do outro, o outro no encalço do um.
Sempre adiante. Assim vem sendo,
E, creio eu, assim será até que o tempo, um dia,
Cesse de seguir em frente.
Até lá, como sempre,
Permaneço aqui achando a estrada do tempo tortuosa.
E, mesmo após tanto refletir,
Não faço-me ainda diferente desde agora:
Sigo nela ainda ansioso!
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier
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