Diga-me, fumaça do cigarro alheio:
Que prazeres jazem em ti?
Causas tamanho asco em mim.
Nunca lhe procurei em tudo o que vivi.
Peço-te desculpas se soe como rude,
Mas te tornas, a mim, algo metaforicamente
E amplamente nebuloso.
Por ti não me viciei, ou não pude?
De longe, percebo: tu obscureces o que vejo
Ao redor do homem que fuma.
O que não lhe faz por dentro?
Garanto: de coisas boas, nenhuma.
Será que tua nebulosidade é menos intensa
Que aquela que ele traz por dentro,
A privar-lhe de qualquer lampejo de bom pensamento?
(Ou sentimento?)
Triste solidão do cigarro que pende à boca.
Triste solidão daquele homem, um mero fumante.
Quisera eu que ele fosse dono de si
E, vencendo sua ansiedade, seguisse adiante.
Não fumo. Não fumarei.
Trago em mim a certeza do que digo.
Sempre a trarei!
Não quero artifícios para aquietar
A eterna inquietude de minha alma.
Não quero tornar nebulosos meus pensamentos
Ou sentimentos, mesmo que tirem minha calma.
Não creio que a fumaça exalada
Leve consigo os males de um fumante.
De minha parte: nada de suspiros esfumaçados.
De minha parte: nada de suspiros esfumaçados.
Não sei se eles pensam assim,
Mas, digo apenas: “Não fumo”, por mim.
Não quero entorpecer-me.
Quero enfrentar a vida são, sóbrio, firme.
Não quero viver em nebulosa e torpe fumaça!
Quero apenas deixar que a vida em mim se faça.
Sem cigarros ou vícios, sem prender-me: viverei!
Apenas eu, o tempo e a vida.
E assim (são, sóbrio e firme), seguirei.
Pedro Igor Guimarães Santos Xavier

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